A galinha dos ovos de ouro – mas com a casca fina e quebradiça

Lendo e meditando sobre os últimos estudos científicos e matérias na mídia quanto as consequências do aquecimento global e comparando com o  oportuno texto do Dr. Paulo César Boggiani/Geólogo-USP, recentemente publicado no site www.portalbonito.com.br, me lembrei de uma questão colocada no exame de química da FUVEST, em 2002, quanto o aparecimento de ovos de galinha com casca fininha.

Sim isso mesmo, ovos de casca mais quebradiça, não suportando às vezes a ação comum do ato galináceo de pôr (botar) da ave fêmea.

Mas o que isso tem haver com o aquecimento global, ou com as inúmeras propostas de desaquecimento ou reversão e até mesmo com o nosso querido e lindo município de Bonito/MS?

No texto do P. C. Boggiani – Meio Ambiente dá lucro – Agora é para valer! Uma nova Proposta para Bonito -, questões ambientais importantíssimas são colocadas, não só pertinentes ao município, mas também as que estamos observando e discutindo mundialmente.

Nele o professor do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da USP apresenta sugestões que eu concordo e endosso plenamente, ou seja, sugere que:

– “alguns hotéis e agências, ou consórcio dessas, venham a adquirir uma área na Serra da Bodoquena/MS, de preferência próxima ao Parque Nacional, ou nas áreas desmatadas entres as grutas do Monumento Natural Gruta do Lago Azul, ou outras degradas pela erosão”

– “essas áreas seriam destinadas ao plantio de árvores”

– “poderia ser feito um cálculo de quanto é emitido de gases por um turista que se desloca, por exemplo, a partir de São Paulo e permaneça na região por cinco dias”

– “a partir desse cálculo, seriam estimadas quantas árvores a serem plantadas na região da Serra da Bodoquena/MS, assim necessárias para compensar a emissão de gases”

-“o turista seria então informado que, ao vir a Bonito, sua emissão de gases de efeito estufa seriam compensados”

– “ao retornar para sua cidade, o turista poderia receber uma fotografia das árvores plantadas, identificadas com seu nome”

Caros leitores, a primeira vista parece trabalhoso?

Quais serião as vantagens ambientais e de imagem, marketing mesmo, além das educacionais para a região da Serra da Bodoquena/MS? Isso seria como botar água a pinto ou preocupar-se com coisas de pouca monta?

Vejamos!

Essas ações devem ser entendidas e copiadas, visando à minimização das conseqüências oriundas da emissão de gases que ocasionam o efeito estufa?

Acredito fielmente que todas as respostas quantificariam o valor compensatório dessas ações. Com certeza, sites e trabalhos técnicos já estão disponíveis, por exemplo, e é só digitar: www.carbononeutro.com.br, abrir o site e teremos úteis informações a respeito, entre outras…

– para cada uma toneladas de carbono emitido são necessárias apenas à presença de 5 a 7 árvores para que o gás seja neutralizado através do processo fotossintético, produzindo e liberando oxigênio(6CO2 + 6 H20 <-> C6H12O6 + 6O2).

Lembrar que 68% resultante da queima de um vegetal é composto de gás carbônico e que no processo de replantio e reflorestamento deve-se obter biomassa igual a anterior, ou seja, as mesmas espécies.

Em nada adianta após derrubar matas concentradas ir e replantar vegetação de massa inferior, por exemplo, derrubar enormes exemplares de árvores e substituir por leguminosas.

Continuando no que escreveu o Dr. Paulo César Boggiani:

– “tal atitude, além do ganho ambiental mundial (diminuição do efeito estufa) resultaria num ganho ambiental local (diminuição da erosão e turvamento das águas), além de chamar atenção para o turismo de Bonito”

– “o mencionado empreendimento (plantação de árvores) poderá vir a ser certificado e possibilitar a venda dos créditos de carbono obtidos, o que não é assim tão fácil, mas também não é impossível”

Pensando nisso, imediatamente veio uma curiosa questão baseada numa certa ocorrência, por mim observada, relacionada com o ciclo biogeoquímico do material com os elementos cálcio e magnésio, esse abundante na região da Serra da Bodoquena/MS.

Voltemos aos ovos da galinha:

– com o aumento do calor oriundo da derrubada e queima de árvores, prolongando as temporadas de clima bem mais quente, será que as galinhas dessa região continuam botando ovos com casca firme, resistente?

Parece que tal questão nada tenha haver com as águas transparentes da Serra da Bodoquena/MS, aonde naturalmente tem-se alta alcalinidade e dureza, com a formação e disposição de carbonatos nos sistemas fluviais, pela presença maior de cálcio e magnésio, entre outros. Mas não, este tudo muito interligado e a sugestão do Boggiani deve ser encampada e divulgada?

Vejamos…

Com o calor a frequência respiratória das aves sofre um tremendo aumento. Elas não transpiram. Ficam cada vez mais ofegantes como que tentando resfriar os seus corpinhos cobertos de penas. Nesse processo estão usando muito mais oxigênio para combater as perturbações ambientais, procurando o equilíbrio fisiológico próprio.

Esse gás oxigênio-O2 fatalmente se reduzirá no seu organismo e também como disponível na formação de um outro gás, o gás carbônico-CO2 e a´´i esta a resposta da falha e a presença de casca quebradiça. Assim como os ovos, ou melhor, as cascas dos ovos contem principalmente carbonato de cálcio-CaCO3, um sal pouco solúvel, formado quando da reação do cálcio com íons carbonato(CO2(-3)), as cascas dos ovos teriam menor quantidade desse sal, o responsável pela dureza dos mesmos.

Na verdade, quando da respiração das ofegantes galinhas, o gás carbônico-CO2 é intensamente eliminado, não contribuindo para a formação equilibrada dos íons carbonato(CO2(-3)) e a sua disposição no sangue das galinhas. Resultado, menos íons carbonato(CO2(-3))no organismo, menos produção de carbonato de cálcio(CaCO3), o sal pouco solúvel presente nas cascas dos ovos das galináceas.

Aí veremos no quintal, no terreiro, etc, as galinhas que produzem ovos com casca finínha. E aonde entram as árvores? Qual a relação árvore/calor/galinhas? Simples, caros amigos e leitores.Numa situação ruim: – menos árvores, menos produção de gás carbônico, menos sombreamento, menos frescor, mais calor, mais galinhas ofegantes, mais ovos com a casca quebradiça.

Numa situação de equilíbrio: – mais árvores, mais produção de gás carbônico, mais sombreamentos, mais frescor, menos calor, etc e tal. E como lembra Boggiani – “com ganho ambiental geral, (p.ex. diminuição do efeito estufa) e o ganho ambiental local como, por exemplo, na diminuição da erosão e turvamento das águas, além de chamar mais atenção para o turismo de Bonito/Jardim/Bodoquena”.

Turvamento das águas?

Basta recordar da chamativa situação natural quando da época de maior incidência solar, resultando no turvamento de larga camada da água mais próxima da superfície, isso na conhecida Lagoa Misteriosa/Jardim-MS.

Certamente o natural fenômeno e que deve ser observado, entendido, divulgado e respeitado pelas ações de turismo da região, vem sofrendo alterações como, por exemplo, um aumento na turbidez dessa camada superior, ocasionada pela indiscriminada derrubada da vegetação entorno e mesmo da própria região calcária-dolomítica. Na ocasião víamos desmatamentos e implantação de pastos.

Finalizando – amigos de Bonito, Jardim, Bodoquena/MS, comecem a observar se as suas galinhas já estão botando ovos com casca mais fina? É um sinal do desequilibro.

É o alerta de estar próximo da perda da galinha de ovos de ouro, – o turismo ambiental -, quando se preocupa apenas com o ganho, ou seja, com a gema, o ouro, o dinheiro contido nele.

Lembremos que o ouro dessa região é ter-se e manterem-se águas super transparentes.

Vamos cuidar de Bonito, Jardim e Bodoquena/MS.
Não podemos matar a galinha dos ovos de ouro.
Vamos vigiar a casca dos ovos das aves (todas).
Vamos plantar mais árvores. Parabéns ONGS de Bonito e entorno.
Vamos cuidar do Globo Terrestre ou GAIA*.

GAIA – Géia ou Gê – deusa da Terra; a Grande Mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os próprios filhos após sua morte; a força elementar que dá sustento e possibilita a ordem do mundo.

Por Helcias Bernardo de Pádua – Biólogo/C.F.Bio 00683/01-D; Conferencista em “Qualidade das águas”;Especialista em Biotecnologia; Analista Clínico, Graduando em Jornalismo/S.J.P.E.S.P. 1452E 

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