Adventure Sport Fair 2008

Sérgio Franco (Foto) explica que o turismo de aventura é a principal ferramenta de preservação ambiental. O seu desenvolvimento está ligado a uma ação conjunta entre empresários, ongs e governo.

Com o mote de promover o turismo de aventura, preservar o meio ambiente e integrá-los ao hábito do brasileiro, a Adventure Sport Fair acontece em São Paulo, mais madura do que nunca.  Sérgio Franco, coordenador do evento, explica em entrevista exclusiva ao Diário do Turismo como é possível explorar a diversidade deste nicho sem causar danos ao meio ambiente, e claro, obter lucro. “O que nós fizemos há quatro anos foi colocar o empresário, o governo e as ongs para conversar, impulsionar essa discussão. A importância e a visão do ex-ministro (Walfrido dos Mares Guia) foi fundamental”, recorda Franco. “Em 99 a Adventure se restringia a um grupo de pessoas praticantes que faziam expedições. O público cresceu na base da pirâmide e se diversificou”, explica o diretor-presidente da Brazilian Adventure Society.

Sem luxo 

Ao contrário de outros tipos de turismo, o destino que possibilita atividades de aventura não precisa ser luxuoso, ou ter grandes estruturas. São mais valorizados os lugares que preservam suas características naturais e culturais. Para Franco, o turismo de aventura vai na contramão da lógica dos grandes resorts. “O turista quer lugares exclusivos, com a natureza preservada, com costumes e comidas regionais. O turismo de aventura não é um turismo de massa. Temos empresas que trabalham com cinco, oito pessoas, às vezes até com duas, e conseguem se estabelecer,” ensina.

Ainda de acordo com Franco, os empresários quando aprendem (o que os biólogos têm para ensinar) começam a preservar a natureza. Segundo ele, o governo passou a ver o turismo de aventura como uma alternativa acessível de geração de empregos diretos começou a investir na iniciativa. Hoje o Brasil conta com 21 modalidades reconhecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).”

Na trilha

Com destinos cada vez mais rústicos e especializados em suas modalidades, o turismo de aventura está em ascensão no país. Contudo, precisa percorrer uma longa trilha para alcançar países com tradição nesta prática, como a Nova Zelândia e os Estados Unidos. “O Brasil não está nem perto de se tornar uma referência. Na América Latina perdemos da Argentina, do Chile, do Uruguai e da Bolívia. Cerca de 20% do nosso turismo está voltado para as práticas de aventura. No decorrer dos últimos anos, o nosso público está aumentando.”

Estilo de vida

Os principais pólos emissores do turista de aventura são os centros urbanos, onde o contato direto com a natureza – na maioria dos casos – é uma raridade. Praticar atividades como: trilhas, cavalgadas, mergulho, se tornou mais que um esporte, e sim, um estilo de vida. As relações individualistas, recorrentes do dia-a-dia atribulado nas grandes cidades, cedem espaço para as atividades em grupo. “Quando a feira começou os visitantes eram aqueles que praticavam as modalidades. Nas últimas edições, o público que ainda não pratica, mas simpatiza com os esportes de aventura cresceu. Temos muitas famílias conhecendo a Feira, vendo nas atividades uma maneira de usar o tempo livre de maneira saudável; retornarem as atividades em grupo.”, explica o coordenador.  

Concorrência

A integração das atividades de aventura entre cidades vizinhas é comum. Destinos que poderiam se tratar como concorrentes se unem para atrair o turista. Segundo Franco é preciso deixar claro que a concorrência não é quem exerce a mesma atividade. “Os grandes concorrentes do esporte e do turismo de aventura é o televisor de plasma, o shopping-center, o carro do ano, o desejo de consumo do brasileiro, que ao invés de fazer uma viagem com a família prefere ficar em casa assistindo a sua tv de plasma.”

Adventure Sport Fair integrada à América do Sul

Uma iniciativa que pretende ser colocada em prática até a próxima Adventure Sport Fair é a integração da América do Sul como destino único. Com paisagens deslumbrantes, e com características culturais específicas, o turista pode conhecer em uma única viagem cenários que variam entre o Deserto do Atacama,  Foz do Iguaçu, o Pantanal, Bariloche, entre outros.

“Nós temos que no integrar, não adianta o Brasil concorrer com a América do Sul. O turista não enxerga as fronteiras nacionais, mas nós ainda enxergamos. Quando se viaja à Europa não se vai à França, à Itália, à Inglaterra. O turista vai para o Continente, e conhece vários países, entra em contato com regiões e culturas diferentes. É isso que nós temos que proporcionar: o contato com as culturas da América Latina”, observa o coordenador. 

Fonte: Diário do Turismo

 


 

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