Artigo: Turismo mal executado

Todos sabem que o turismo é um dos fatores que mais contribuem para a economia do estado, seja pela enorme área geográfica como o Pantanal, seja pelo turismo ambiental ou ainda, de forma não menos significativa, o turismo de fronteira que, a cada semana, atrai visitantes, turistas de muitos pontos do estado de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

A região do Pantanal adquiriu, nas últimas décadas, um nível qualificado de exploração turística sustentável. No começo Pantanal era sinônimo de Cuiabá dada a sua proximidade com a região alagada, não obstante ter uma área menor. Pelo trabalho dos governos, instituições civis e empresários, o pantanal sul-mato-grossense ganhou projeção e é, de forma sustentável e equilibrada, explorado.

O turismo rural é outro exemplo de pujança depois que muitos empresários da agropecuária descobriram um meio econômico, atrativo, limpo de fazer com que suas propriedades, e muitas das riquezas naturais, gerem lucratividade. Sem medo de errar, o turismo rural se apresenta como o segundo nível de exploração econômica no estado.

De outro lado, a fronteira também se constitui num forte elemento de desenvolvimento econômico. Muitos turistas viajam durante muitas horas, principalmente em via terrestre, para fazer compras, seja de importados ou de artesanato, nas fronteiras internacionais de Mato Grosso do Sul. Basta circular, nos finais de semana ou em feriados, pelas ruas de Ponta Porã, Bela Vista ou Corumbá. A instabilidade do câmbio com o dólar americano, moeda corrente no comércio da fronteira, não afasta os turistas, no pior cenário apenas diminui o fluxo.

Contudo há um outro lado dessa história e que por sinal é motivo de preocupação das autoridades estatais no que diz respeito a acomodação dos turistas, principalmente neste momento em que inúmeros esforços são realizados para trazer os jogos da Copa 2014 para Campo Grande. Em alguns casos, chega a ser vergonhoso. A capital do estado tem uma rede hoteleira pífia, mal preparada e não qualificada. No interior, com algumas exceções, como o caso de Bonito, também o turista sofre com as acomodação. Creio que o pior exemplo está em Ponta Porã. Embora não se busque, no interior, oferta de leitos de primeira qualidade – pouquíssimos turistas permanecem por mais de três ou quatro dias na cidade – a qualidade das acomodações disponíveis é muito ruim, aliado a taxas de diárias exorbitantes. O gerente de relacionamento de uma empresa multinacional, Miguel Ristoff, em circuito terrestre entre o Paraná e Mato Grosso do Sul fez uma comparação que, no mínimo, soa negativa para o estado. Segundo informou, esteve em Cascavel (PR) onde se hospedou num dos melhores hotéis da cidade com preços de diárias em torno de R$ 120,00. Destacou sua surpresa que ao chegar em Ponta Porã, também num hotel considerado um dos melhores, um prédio muito alto quase na linha internacional, encontrou diária no valor de mais de R$ 180,00. Interessante fazer uma comparação: hotel em Cascavel seria no padrão quatro estrelas, o hotel em Ponta Porã no padrão duas estrelas. O mesmo relatou ainda que as condições das acomodações estavam em péssimo estado. Afirmou que “havia uma percepção que o hotel está em reforma há muitos anos, pois se encontra vários sinais, nas acomodações, de massa corrida, além de móveis desgastados”. Não resta dúvida que situação como essa não convida, mas ao contrario, expulsa o turista. Se ele e sua família poderiam permanecer por vários dias na cidade, o que é muito importante para o próprio hotel, para o comércio local, para restaurantes, é impelido a não permanecer mais do que uma noite.

Esta situação relata um exemplo de uma das maiores cidades do estado e que possui um fluxo de turistas intenso a cada fim de semana ou ainda nos períodos de feriado prolongado ou férias. Se o poder público quer de fato promover a indústria do turismo, considerada indústria sem chaminé que movimento bilhões de dólares a cada ano. É na atualidade, a atividade que apresenta os mais elevados índices de crescimento no contexto econômico mundial. Movimenta cerca de U$ 8,5 trilhões anualmente e, apenas na última década, expandiu suas atividades em 57%. Dentro dessa indústria, o ecoturismo é o segmento de maior crescimento, o que resulta num incremento contínuo de ofertas e demandas por destinos ecoturísticos, potencial econômico de Mato Grosso do Sul. Este estado tem todas as condições para implementar a indústria do ecoturismo, há necessidade urgente de orientar os empresários, principalmente aqueles que atuam em empreendimentos familiares para que possam obter melhores resultados da atividade a partir de um serviço de qualidade. Que os turistas e viajantes, que frequentem o estado, permanecem por muitos dias e conheçam as belezas naturais, seja no cerrado, seja no Pantanal, seja na fronteira.

Fonte: Gerson Luiz Martins – professor do Curso de Jornalismo da UFMS (gmartins@nin.ufms.br)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>