Bioconstruindo Bonito 2008 gera entusiasmo coletivo

A energia da floresta, a água límpida dos rios, o contato direto com animais silvestres e muita vontade de aprender fizeram com que os 31 inscritos no curso Bioconstruindo Bonito 2008 vivessem cinco dias (09 a 13 de abril) de total integração e realização. O grupo foi formado por profissionais e estudantes de várias regiões brasileiras (Pernambuco, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro) que se deslocaram para Bonito/MS onde o curso aconteceu. Frases como “isso não podia acabar nunca”, “todo final de semana deveria ser assim” e “nunca esquecerei esses dias” eram expressas de forma natural e sistemática.

Um dos mais empolgados era o próprio instrutor do curso, o arquiteto holandês Johan Van Lengen. Ele e seu filho, Peter, foram os responsáveis por todo o trabalho que uniu a prática com teoria e apuro sensorial. “Nunca me vi em uma situação tão fantástica, trabalhando com um grupo harmônico em uma clareira aberta bem dentro de uma floresta”, comentou Lengen se referindo ao Ecoparque La Paloma, uma área de 35 hectares distante 8 km da cidade de Bonito onde não há energia elétrica e as estruturas são construídas com recursos encontrados dentro da propriedade.

O arquiteto holandês, que também é urbanista e já trabalhou em organismos em vários países do mundo, é considerado o “papa” da bioconstrução, uma área do saber que une, sobretudo, elementos de arquitetura e biologia utilizando-se sempre de elementos naturais. Ele é apelidado de “arquiteto descalço” em função de seu best seller “Manual do Arquiteto Descalço”, escrito no México, em 1991.

Os 31 participantes do curso passaram os cinco dias neste ambiente com apenas pequenas estruturas naturais, sem energia elétrica e demais “confortos” do mundo moderno. Eles apenas deixavam o local à noite para dormirem em um hotel, na cidade. A alimentação era feita em um fogão a lenha e com cardápio natural: torta de legumes, macarrão com brócolis, cenoura e berinjela, pastas, pães integrais, etc. Mesmo com a boa alimentação era previsível que, no último dia, saudosismos gastronômicos viessem à tona. A palavra “picanha” era uma das mais pronunciadas no domingo (13/04).

Para as necessidades fisiológicas utilizava-se um banheiro seco, estrutura de bioconstrução que não usa água e permite a reutilização dos desejos como adubo orgânico. Para um bom banho, as águas do Rio Formoso, que corta a propriedade, eram mais do que convite a um puro prazer, uma vez que o calor, durante os cinco dias, ficou na casa dos 34 graus. Para a troca de roupas foi utilizado um vestiário todo construído em bambu.

Na parte prática, os participantes aprenderam erguer estruturas com material natural, como uma parede de terra (que também leva, em sua mistura, parte de estrume de vaca), teto vivo (que mantém temperatura da casa mais quente no inverno e mais fresca no verão), cestas, ambientes de bambu, e vários outros processos. Johan Van Lengen também trabalhou a parte sensorial do grupo através de exercícios de relaxamento, autoconhecimento e de desfocagem.

“Sair de Recife para participar deste curso aqui em Bonito foi um excelente investimento que fiz”, comenta a Pernambucana e graduanda em arquitetura, Maria Eduarda Freyre M. Da Costa Lima (Duda Freyre). Ela destacou a naturalidade como as coisas aconteceram ao longo do curso: “fiquei muito impressionada com a simplicidade de Johan e Peter em passar conhecimento e também no ambiente em que tudo aconteceu; a gente fica completamente integrada à natureza”.

Essa integração passava pelo contato direto com a fauna e a flora do local. Bugios, macacos, centenas de borboletas e cobras chamaram a atenção do grupo. Observar uma Cascavel sob um tronco de madeira foi programa quase obrigatório na tarde de sábado (12/04).

O primeiro curso de bioconstrução de Bonito foi uma realização do Ybirá Pe Canopy Tour Brasil em parceria com a Associação Brazil Bonito. O apoio foi da Prefeitura Municipal de Bonito através da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio. Em função da boa procura e participação, a organização estuda a possibilidade da realização de uma nova edição, desta vez mais pontual, destacando uma técnica específica dentro da bioconstrução.

Fonte: Atratur




 

 

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