Bonito do firmamento ao chão

Não foi preciso rezar pra Santa Clara nem pedir a São Pedro. O céu firmou e o 11º Festival de Inverno de Bonito esquentou. Os cachecóis nem apareceram. Frio mesmo só o show da Maria Gadú. Quem aqueceu a grande tenda foi a jovem estrela Paula Fernandes e o velho `estrelo` Lulu Santos. Morna e sem sal foi a Gal Costa, que perdeu a mala e botou a culpa na cidade de Bonito.

A Praça da Liberdade, também conhecida como Praça do Festival, recebeu turistas gringos, e como diria Marcelo Comédia Mansfield, brasileiros e Amapaenses. O que me agradou muito foi à limpeza da cidade. Parecia até cidade européia. Não lembro de ter visto ninguém jogando lixo no chão. Os coletores identificados para reciclagem bem que podiam ser colocados em todas as cidades do Brasil e do Amapá.

Crianças flutuavam em pernas de pau sambando a capoeira. Outras, sobre os ombros dos pais admiravam o mestre mamulengo, que fez a lição de casa e deu um show de simpatia. Ele sabia mais da programação do festival do que eu, e nem precisou falar mal do Amapá pra saber que aqui, o Mato grosso é do SUL.

Pessoas se espremiam em rodas para ver a bailarina fazer a dança da estátua; O violonista sua serenata e um mímico que era pura MA-CA-CA-DA. O mix mundo capitalista abriu um mercado na cidade de Bonito. Lindo foi ver a Vila Rebuá aberta ao público depois de vários festivais.

A grande sacada do festival foi o encontro para falar de um tal de Geopark, estava lotado, pena que não foi no Ecoespaço, que poderia ser chamada de espaço do eco… Eco… Eco… Cheia de boas intenções o espaço desta vez não teve grandes públicos. Até aquele cara que faz comédia não lotou o local. Só encheu o saco de tanto falar mal do Amapá.

Um mágico teatro chamou a atenção do público. As letras e a Coreogeografia das músicas descompassadas faziam as bailarinas dançar funk ao som do chamamé, pouco importou se a flor tinha espinho ou se o peixe era sem a espinha, porque o “Sentido das Coisas” foi mostrado em fatos e fotos. Fato: o BAN-GA-LA-FU-MEN-GA fumenga muito, do Iapoque ao Chuí, do Rio Grande do Sul ao Amapá.

PACABÁ mesmo foi o Dom Brás, uma turma totalmente capaz de enCANTAR o samba. Teve até bis de um guitarrista paraguaio que tocou um som de prima. O olho d`agua foi nos Retalhos do Taquari e já que só 10% do que Manuel de Barros fala é mentira, venha ver a 12º edição e confira.

Por Rodrigo Ostemberg – Jornalista e Fotógrafo

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