Bonito encanta repórteres do Programa Terra da Gente

Equipe do Prgrama Terra da Gente estiveram em Mato Grosso do sul, nas regiões de Bonito e da Serra da Bodoquena. Os repórteres Eduardo Sozo, Carlos Alberto Coutinho e Ilydio Pereira participaram de uma boa aventura de pesca, conheceram a natureza preservada, o ecoturismo e a preservação do local.

Confira o relato dos profissionais:

A descoberta de um lugar incomum

A grande missão da nossa aventura é fazer contato com a natureza e mergulhar numa das regiões mais conservadas do Brasil. O primeiro compromisso desafia a nossa observação. Os cenários são de Bonito, na Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, mas extrapolam em beleza o nome do principal município da região. Por falar em modéstia, há 15 anos Bonito era só uma cidade perto do pantanal sulmatogrossense e fora da rota turística.

Até que o restante do Brasil, e o mundo, abriram os olhos e deram conta de que não estavam diante de um lugar comum, mas sim de um pedaço de terra privilegiado por natureza. Lugar onde é preciso mergulhar ou caminhar para descobrir o que há de tão especial.
Só em 2008, quase 90 mil turistas estiveram em Bonito. O fluxo deve aumentar ainda mais, já que o aeroporto da cidade passou a receber voos regulares.

Segredos entre rochas

Entre rochas calcárias, encontramos um mundo multicolorido de vida abundante e de contrastes. A sensação é de estar num aquário gigante com peixes da mesma proporção.
 
Os cardumes passeiam diante dos nossos olhos. Piraputangas, pacus, curimbatás, piaus e piavas vistas normalmente no fundo dos rios, que é rico em nutrientes. Nos trechos mais rasos, um visual sensacional. A luz, refletida na superfície da água, produz um espelho natural. Em pouquíssimos lugares do Brasil é possível ver peixes de água doce tão de perto e ainda interagir com eles. A maioria não se incomoda com a presença dos turistas e segue sua rotina dentro d`água. O dourado chama a atenção pela cor e também pela imponência, é o soberano dessas águas.

O cotidiano dos moradores
 
Estudar a rotina e o comportamento desses animais é um dos desafios de pesquisadores como José Sabino, da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp). Ele e o biólogo Ivan Sazima – da Universidade de Campinas, a Unicamp – descobriram uma curiosa interação que ocorre nas margens dos rios, locais muito visitados por bandos de macacos-pregos.

Na água, os bichos matam a sede e nas árvores encontram comida farta. Eles pulam de galho em galho atrás de frutas, refeição que sem querer acaba dividida com quem está lá embaixo, mais exatamente dentro d`água. As piraputangas agradecem a cordialidade dos mamíferos e chegam a segui-los para aguardar o tão esperado momento. Como os macacos não são nem um pouco discretos, para cada fruta que comem, costumam derrubar muitas outras. É nessa hora que os peixes fazem a festa. Caiu na água, eles não perdem tempo! Alguns chegam a projetar o corpo fora da água para pegar a comida.
 
De acordo com o pesquisador, essa interação tem um papel ecológico muito importante, já que esses frutos, quando as piraputangas deles se alimentam, podem ajudar na recuperação da mata ciliar dos rios. Essa é, ainda, do ponto de vista da literatura científica, uma descrição única no Brasil. 

Águas cristalinas

Quanto mais transparentes as águas, mais reveladoras elas são. Embaixo d`água, labirintos e ecossistemas curiosos. A variedade de plantas que formam verdadeiros jardins subaquáticos chama a atenção. 

Na medida em que avançamos, somos surpreendidos por mais curiosidades. Água que brota do chão são as ressurgências, nascentes que formam pequenos e grandes vulcões. Um deles, a três metros de profundidade, fica no Rio da Prata, município de Jardim, e é um dos maiores atrativos.
Mergulho em direção ao fundo do rio. A vontade é de ficar lá em baixo pra curtir a hidromassagem natural, mas a força da água não deixa. Ela empurra o corpo para cima e expulsa o intruso. Sinal de que a natureza é quem manda e domina por aqui.

Impactos ambientais

Quem não gosta de apreciar obras-primas? Há muitas delas espalhadas pela Serra da Bodoquena, na região Centro-Sul do estado do Mato Grosso do Sul. Nesta maravilha de quase 300 quilômetros de comprimento, é possível escolher entre cenários de por-do-sol dentro ou fora d`água. A natureza se revela um esplendor e desafia o homem com ambientes tão preciosos. A missão é buscar o equilíbrio e conciliar exploração turística com conservação, onde tudo se vê, mas nada se leva daqui.

Nenhuma atração natural pode ser visitada sem a presença de um guia. A entrada é controlada e os grupos limitados de acordo com o tipo de ambiente. A capacidade de carga dos atrativos é determinada pelos monitoramentos ambientais.

Mensalmente são elaborados relatórios e feito um estudo nos rios, nas matas e nas trilhas onde ocorrem essas atividades turísticas pra minimizar e prevenir impactos ambientais.

Quase todas as atrações na região de bonito ficam em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNS), o que facilita o controle do fluxo de visitantes. Nos rios, os cuidados têm que ser ainda maiores, já que são ecossistemas muito frágeis, que precisam de uma atenção especial. Isso é lembrado para os turistas a todo instante. Na flutuação, principal atrativo de Bonito, são permitidas apenas nove pessoas por grupo. Todas elas têm que usar roupa de neoprene e colete salva-vidas, garantias de que vão se afundar. 

É no começo dos passeios que está a maior preocupação dos guias: as nascentes. Estes lugares são muito sensíveis e frágeis. Se os visitantes começarem a abusar, isso vai atrapalhar a ressurgência de água, na vegetação. Esses cuidados fizeram de Bonito uma referência em termos de conservação ambiental no Brasil. O treinamento turístico de Fernando de Noronha veio aqui aprender com esse modelo. Inúmeros destinos turísticos do Brasil visitam o lugar para entender o funcionamento.

Mergulho

O biólogo José Sabino acompanhou todo esse processo de transformação para que Bonito se tornasse um destino ecologicamente correto. Ele foi gerente ambiental de um dos atrativos e, hoje, a contribuição do biólogo é feita de outra forma. Nos preparamos com ele para conhecer mais de perto detalhes desse trabalho.

Nosso mergulho é no Balneário Municipal, um lugar muito frequentado por turistas em Bonito. Paraíso das piraputangas, não é preciso ir muito fundo para ficar impressionado com o que os olhos veem. São cardumes imensos, centenas de peixes a poucos centímetros da gente. Sabino tem em mãos um guia subaquático criado por um aluno de mestrado da Uniderp, de Campo Grande. O guia ajuda a identificar as principais espécies de peixes encontrados nos rios dessa região. Normalmente, quando as pessoas visualizam os peixes durante o mergulho e a flutuação, elas observam os peixes de porte grande como dourado, piraputanga e curimbatá.

Peixes obesos

Em uma das pesquisas, José Sabino e outros dois biólogos descobriram algo inusitado: os peixes estavam gordos. O comportamento dos turistas tinha influência direta na dieta deles. A alimentação das piraputangas é à base de frutas, mas devido à grande oferta de salgadinhos de milho, cortesias dos turistas, elas passaram a comer além do necessário. 

O alerta teve um papel educativo importante e serviu para promover uma mudança de hábitos. Já não é mais permitido alimentar os peixes com salgadinhos. No lugar deles, foi introduzida no Balneário de Bonito uma ração balanceada, com proteínas em vez de amido. A medida deu certo. Os turistas ficaram mais conscientes sem que os peixes deixassem de saborear as cortesias dos visitantes.

O verde de Bonito

Pequenas iniciativas juntas podem trazer grandes resultados. Esse mesmo raciocínio vale para mudas de árvores nativas. Sozinhas, elas não teriam o poder de mudar a paisagem. Unidas, estão ajudando a recuperar áreas degradadas dessa região. As mudas são produzidas em viveiro da Reserva Ecológica Rio da Prata, no município de Jardim, a 50 quilômetros de Bonito. São 25 espécies ao todo. Tem jacarandá, embaúba, ipê-amarelo e jaracatiás.

Quem toma conta deste berçário verde é o biólogo Samuel Duleba. É uma tarefa de formiguinha e requer muito esforço e paciência, mas traz resultados. Ele sai a campo e seleciona as árvores-mães, as matrizes, que devem ser sadias. A partir delas, coleta sementes. Das mudas produzidas, parte para o reflorestamento das áreas em recuperação a partir do plantio das mudas na área a ser recuperada.

Apesar de ser um exemplo de conservação, Bonito ainda tem muitas áreas de mata ciliar que precisam ser reflorestadas. Até o início dos anos 90, a criação de gado era a principal atividade econômica de Bonito e região, o que promoveu um avanço sobre as áreas verdes. Recuperá-las é uma das missões do IASB – Instituto das Águas da Serra da Bodoquena, uma das organizações não-governamentais engajadas na luta ambiental. 

A ONG criou o projeto Plante Bonito. As mudas viajam até um lugar onde serão acolhidas definitivamente, neste caso, o sítio do seu João. O plantio é feito em áreas de preservação permanente, próximas a córregos e rios. Patrocinadas por empresas, as mudas são doadas pelo IASB a produtores rurais. Em troca, o instituto exige deles a manutenção das árvores. Só neste sítio de 20 hectares, já foram plantadas 80 mudas. Agora o objetivo do IASB é convencer outros produtores a ir pelo mesmo caminho.

Com informações Programa Terra da Gente

Fonte: Assessoria de Imprensa
Recanto Ecológico Rio da Prata
Estância Mimosa Ecoturismo

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