Bonito precisa de investimentos e urbanização

Bonito encontra-se hoje da seguinte forma: de um lado, na zona rural, os atrativos que todos reconhecem como um dos mais belos do planeta se o assunto é ecoturismo. De outro, na área urbana, um cenário que deixa a desejar.

O asfalto da rua principal, Pilad Rebuá, chama a atenção até dos mais desatentos. Existem crateras do início ao fim, rua que nem é tão longa assim. Somando-se as crateras aos incontáveis quebra-molas, fica complicado dirigir ali.   

A pavimentação foi feita apenas nesta rua, em algumas transversais e outras poucas paralelas à Pilad Rebuá. A cidade está suja e não se deve atribuir às chuvas seu estado de conservação. Péssimo para o município, seus moradores e para quem para lá se desloca. Sujeira não combina com turismo de qualidade. Fora isso, a cidade é escura, mal iluminada.

Lojas em pleno centro colocam enormes caixas de som na calçada com músicas em altíssimo volume para atrair [espantar?] a freguesia. Isso durante o dia. A noite é pior. Carros e pontos já eleitos pelos jovens se encarregam da poluição sonora.

A prefeitura, por sua vez, interdita com cancelas uma ou duas quadras nas noites festivas na Pilad Rebuá. Ali a garotada se embriaga à vontade. Quem foi que teve a ideia de transformar ruas em pingódromos? E aqueles orelhões de bicho? E os pórticos ou o que for o nome daqueles arcos? O que é aquilo? 

Os serviços, na alta temporada, requerem uma paciência que nem todos têm para suportar. Primeiro a demora para ser atendido em alguns restaurantes. Depois, espera-se ainda mais para que venha o prato, não sem antes ouvir do garçom que a casa está cheia e a cozinha é uma só. Que falta faz treinamento nessas horas. Quem tem paciência espera. Quem não tem, ou está com os filhos famintos, volta para o hotel onde se é atendido em menos tempo por uma refeição.

Bonito vive de serviços e deveria repensar e pesquisar como os seus estão sendo percebidos na ponta. Cestas de lixo nas calçadas, por exemplo, são raras. Calçadas, por sua vez, impróprias para quem usa cadeira de rodas. 

Nos últimos dias de 2009 uma rádio local bradava que somente no réveillon os turistas deixariam mais de dez milhões de reais na cidade.

Informações recentes dão conta que em 2009 houve um incremento de 60% nas visitas com 160 mil turistas que foram a Bonito. Deixaram R$ 60 milhões de reais na arrecadação somente neste setor. Um recorde. Daí vem a pergunta: – Não daria para usar uma parte deste dinheiro para conferir a Bonito uma aparência de cidade turística? O município precisa urgente de um choque de urbanidade, arquitetura e paisagismo. A revitalização da praça com as esculturas das piraputangas foi um bom início. Virou cartão postal mais este excelente trabalho do artista plástico Cleir.

Quase tudo é muito caro em Bonito: combustível, refeições, passeios, traslados, hotéis, tudo a peso de ouro e mesmo assim há pouca contrapartida para o visitante.

A maior vitrine sul-mato-grossense do turismo deixou de ser o pantanal há muito tempo desde que Bonito emergiu com suas belezas para o mundo. A cidade é referência nacional e internacional em ecoturismo.

Bonito tem condições de sobra para dar o exemplo e ser compatível com suas belezas naturais. Basta querer. 

*PAULO RENATO COELHO NETTO é jornalista, pós-graduado em marketing e autor do livro “Mato Grosso do Sul”.

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