Caráceas de Bonito MS

Helcias Bernardo de Pádua

Águas de “lagoas alcalinas” tornam-se ideais para proliferação de um grupo de macro-algas verdes, conhecidas com “algas caráceas”, devido ao fato destas utilizarem os íons bicarbonatos-… HCO3 , para poder obter o gás carbônico-CO2 a ser utilizado na sua fotossíntese, já que dificilmente se encontra em sua forma livre nas águas bicarbonatadas. Águas com baixo teor de gás carbônico-CO2 como na Serra da Bodoquena, permite a proliferação dessas macro-algas pelo fato destas apresentarem a capacidade de absorver os carbonatos-HCO3, (AUTOR99-Template, 1999).

Podemos encontrar as caráceas: Chara sp, com “talo ou eixo principal” revestido por uma casca, sendo dividido em “nós” por onde partem as “ramificações”, e os “internós”, todos “sem envoltório gelatinosa”; – a Nitella sp, também “ramificada”, mas com “talo” principal “sem casca”, com “nós” e “internós”, partindo dos primeiros e as ramificações também com nós e internós, “sem envoltório gelatinoso”, que vivem emaranhadas e presas pelos seus “talos” ao solo raso ou margem limpa, como verdadeiros tapetes ou mantos. Segundo pesquisadores, no Planalto da Bodoquena, podem ser identificadas 3 espécies de “Caráceas” como: Chara rusbyana,(mais abundante), Chara  fibrosa e a Nitella  furcata.
 
Em certas áreas, essas algas, e/ou também os vegetais simples chamados musgos se tornam até as únicas plantas encontradas, formando extensos mantos sobre o leito da massa aquática.

A utilização pela absorção do próprio bicarbonato por essas algas e ou por musgos, é notado pela aspereza na superfície e no interior do corpo ou dos seus “talos”, com a ocorrência de precipitação e deposição de carbonatos que facilmente se desagregam , contribuindo possivelmente na formação da finíssima “lama calcária”.

Naturalmente, existe intrínseca correlação entre a presença desses organismos e a própria qualidade ambiental da área inundada, assim: águas mais expostas aos compostos de sais calcários, promovem a produção explosiva de algas planctônicas, as quais absorvem intensamente o gás carbônico-CO2, com elevação do pH e nucleação de partículas, com aparecimento de coloração aparente intensa nesses sistemas aquáticos; – por outro lado, alterações na profundidade do lago ou leito do rio, pelo carreamento e deposição de material externo, acúmulo de materiais inconsolidados, com mudança nos meandros naturais, acarretando áreas abandonadas, promovem a formação de brejos, resultando na deposição maior de camadas orgânicas superficiais, com percolação de águas mais ácidas, impedindo a consolidação da lama calcária, entre outras ocorrências, p.ex. tornando as conchas de moluscos friáveis; – além disso, a recente presença de componentes orgânicos e mesmo nutrientes minerais, mesmo em baixas concentrações, podem inibir a precipitação da calcita, dando-se um maior turvamente na água, prejudicando o melhor desenvolvimento das algas planctônicas, as diatomáceas e as cianobactérias/cianofíceas, essas diretamente associadas ao desenvolvimento e ou formação das “tufas calcárias”, p. ex., na região objeto desse estudo.

As micro-algas, (diatomáceas e cianofíceas), são como que aprisionadas entre os “talos” ou corpo das “caráceas” incrustados por precipitação do carbonato.

Se as águas anteriormente transparentes, se turvarem, não mais teremos a ocorrência e crescimento normal das “caráceas” vegetais aquáticos, típicos da região nas águas da Bodoquena.

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