Conheça Maria Margarida – a Tia do Bombom

Jaracatiá, Guavira, Castanha de Cumbarú, Seriguela, Jabuticaba com pimenta, Cupuaçu. Quem já visitou Bonito (MS), ao menos uma vez, já deve ter se deparado durante a noite com uma simpática senhora nas principais ruas da cidade, pronunciando tais palavras. 

Conhecida por todos com a Tia do Bombom, Maria Margarida Brezolin, é responsável por adoçar a vida dos turistas e moradores com seus bombons produzidos com frutos da região. Porém a atividade e o sucesso de seus produtos começaram de forma inesperada.

Margarida e sua família moravam anteriormente em Campo Grande (MS) e a ideia inicial era mudar-se para Natal, no Rio Grande do Norte, mas foram surpreendidos com a proposta de um negócio no destino de ecoturismo. “Mudamos para Bonito, em 2000, com o propósito de alugar uma Pousada. E a gente alugou essa pousada assim direto, sem conhecer, arriscamos. A princípio vim sozinha e meu esposo, Denis, ficou para acompanhar nossa filha, Denise, que estava em período de aulas escolares”, diz.

Desde então, Margarida fincou suas raízes no município. “Pra não falar que nunca saí daqui fui duas vezes para Campo Grande e voltei correndo”, nos conta e avisa também que não pensa em deixar a cidade. “Eu me adapto aos lugares que são bons… Confesso que no início estranhei o calor, o clima era muito diferente da onde nasci”.

Margarida e sua família trabalharam com a Pousada até meados deste ano. Porém, paralelamente a esse trabalho, ela já vendia os bombons pelas ruas da cidade. Saiba como tudo se iniciou há seis anos:

“Eu digo hoje que foi uma coisa boa em minha vida. Na baixa temporada, pela pousada ser pequena a renda era menor e os gastos mensais eram os mesmos, só diminuía o que você ganhava. Então minha filha fazia bombom e levava para vender na escola e em algumas lojas…mas isso longe de pensar no iria acontecer… Durante um período de baixa temporada em Bonito  nós precisávamos  aumentar o orçamento e ficamos todos pensando no que iríamos fazer, então falei para meu esposo vamos fazer os bombons. Na época  havia um conhecido que estava vendendo bombons  e conseguindo sua independência financeira com isso. Ficamos, então, todos empolgados”.

Porém algumas informações obtidas, como qual o papel correto para embalar os bombons, foram fundamentais para o início da fabricação e comercialização dos produtos.

“Para começar fiz 12 bombons e quando terminei de fazê-los já era dez para meia noite. Nesse mesmo horário eu tinha um compromisso: ia assistir uma oração na igreja. Assim que terminei guardei os bombons em uma vasilha de gelo e pensei: e agora quem vai vender isso aqui amanhã? Fique pensando a Denise ou o Denis? Mas quando ia guardar na geladeira tive a ideia de levar comigo já que a igreja era pertinho da minha casa. Ia oferecer para o Didi, que tinha um trailer de lanches, mas como estava apressada não deu tempo de parar. Pensei: vou para a Igreja e na volto eu ofereço… após o término da oração, quando eu passei próximo onde é o Oca Bar hoje (antigamente era outro empreendimento), nem sei bem o que aconteceu, vendi todos os bombons ali mesmo : os doze.

Voltei para casa com a vasilha vazia. Foi um milagre. Saí da igreja essa hora, mais de meia noite, nunca ia pensar na minha vida que esse horário eu venderia bombom, pois era baixa temporada, um dia comum. Foi uma coisa extraordinária, e isso me mostrou que nós deveríamos vender os bombons a noite e não durante o dia como estávamos imaginando”.

No dia seguinte, Margarida preparou uma cesta maior. “Saí da igreja e vendi tudo, fui pra casa e no outro dia fui aumentando a produção… chegava em casa sempre com a cesta vazia”. E no último dia de oração, ela resolveu voltar para sua casa pela rua principal da cidade, Pilad Rebuá, e observou o grande movimento. “Passei no Taboa e vi o movimento, daí pensei será que aqui eles deixam vender bombom? Perguntei para a dona e ela disse que sim, pode trazer”!

E assim começou seu novo trabalho em Bonito!

No início os bombons produzidos eram de brigadeiro, beijinho, morango, os tradicionais – como diz Margarida. Mas a intenção dela era inovar, criar novos sabores para surpreender os turistas. Assim, começou a produzir bombom de granola, licor de cassis, pantaneiro, jabuticaba, bocaiúva, buriti, cumbaru, o de Jaracatiá – nome dado à sua empresa: Jaracatiá Bombons Caseiros, entre outros sabores.

Há três meses, Margarida e família abriram uma loja para atender melhor os turistas e todos que desejam comer bombom a qualquer hora, não só a noite. Além dos bombons é possível encontrar na loja castanhas de cumbaru, geléia, rapadura, entre outros produtos.

Porém para encontrar a Tia do Bombom, basta circular pelas ruas de Bonito após às 21 horas que irá encontrá-la esbanjando sorrisos, simpatia e claro, muitas opções de bombons!

Conheça um pouco mais sobre nossa entrevistada de hoje na coluna “Quem Faz Bonito”:

Te chamam de: Tia do Bombom

Nasceu em: 12 de setembro de 1951, em Vacaria (RS)

O que comeria todos os dias: Muito doce

O que tem na sua cabeceira: A Bíblia

Adora ouvir: Gosto de ouvir as pessoas

Gosta de assistir: Tudo que fala da natureza

O que te inspira: Alegria e felicidade de morar aqui. Muitos perguntam o que eu faço aqui e respondo: Deus achou que eu devia morar no paraíso e me trouxe pra cá

Simplesmente inesquecível: Encontrei uma cachorra na rua e ela me adotou (lágrimas nos olhos), não tinha como cuidar dela, entreguei para uma outra pessoa que morava há uns 80 km da minha casa….e mesmo assim ela voltou, me encontrou na avenida vendendo os bombons…Se chama neguinha… é muito forte, ela é muito amorosa, sinto que ela me ama…observo a natureza….Chego em casa e ela faz a festa, falo pra ela: tu me adotou neguinha!!!

Melhor lugar que visitou: Balneário Municipal de Bonito

Qual lugar gostaria de conhecer: Qualquer lugar que tenha natureza, ou praia, por exemplo Natal, pois tenho um neto que mora lá

Qual foi experiência marcante que já vivenciou na natureza: Uma coisa que marcou bem, foi quando eu estava no Balneário Municipal e tinha uma garça real, ela pôs os ovos em cima de uma árvore, estavam quase caindo. Fiquei preocupada achando que iria cair… Tinha um rapaz que vendia picolé no local, e quando ele falava a garça se levantava e ficava prestando atenção nele, só nele…toda vez que ele aparecia ela se mostrava…

O que faz por Bonito: Eu procuro cuidar da natureza e divulgar que ela deve ser preservada. Faço tudo o que puder!

Bonito pra você é: Paz

Para informações sobre os bombons entre em contato pelo telefone: (67) 9623-1634.

Até a próxima semana!

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