Conheça Marja Milano, coordenadora da Fundação Neotrópica em Bonito

Entre os dias 30 de junho a 3 de julho, a cidade de Bonito (MS) recebe a terceira edição do Congresso de Natureza, Turismo e Sustentabilidade – Conatus 2013, evento idealizado e organizado, em todas as suas edições, pela Fundação Neotrópica do Brasil.

O Conatus tem como objetivo reunir especialistas de renome nacional e internacional, para discutir as questões de turismo como promotor da conservação ambiental e da natureza como capital de base para o turismo no Brasil. Paralelamente, pretende-se contribuir para a construção de políticas públicas mais adequadas que conciliem a atividade turística e a conservação do seu maior potencial, que é o patrimônio natural.

Para falar mais sobre o assunto e sobre a Fundação Neotrópica, a coluna “Quem Faz Bonito”, entrevistou Marja Zattoni Milano, Bióloga, Mestre em Ecologia e Conservação, e que atua na instituição em projetos de conservação da natureza, principalmente na região de Bonito e no Pantanal Sul.

Confira:

Como funciona a Fundação Neotrópica?

Marja Milano: A Neotrópica é uma ONG, sem fins lucrativos, criada em 1993. O nosso funcionamento é baseado num planejamento estratégico, o qual é periodicamente revisado pelo Conselho Curador da instituição e pela equipe técnica. Com base nestas estratégias e objetivos, são escritos projetos para a captação de recursos em editais e junto a parceiros diversos. Os projetos que são aprovados e obtém financiamento são então executados. Nos orgulhamos de ter parceiros de longo prazo, com vários anos seguidos de financiamento, o que reflete uma relação de segurança e os bons resultados que conseguimos alcançar.

Quais são as principais áreas de atuação?

M.M: Temos 5 linhas principais de atuação:
a) Fomento à criação e apoio à gestão das Unidades de Conservação, públicas e privadas;
b) Recuperação de áreas degradadas e adequação de propriedades rurais no Cerrado, Mata Altântica e Pantanal;
c) Pesquisa científica sobre biodiversidade e conservação da natureza;
d) Comunicação, educação da sociedade e disseminação de boas práticas para a conservação da natureza;
e) promoção do turismo como promotor da conservação ambiental e a natureza como capital de base para o turismo no Brasil.

Quais os projetos que envolvem Bonito?

M.M: Vou listar os projetos atuais:
– Projeto Corredor de Biodiversidade Miranda – Serra da Bodoquena, que inclui diversas ações de fortalecimento do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, ações de educação ambiental, apoio aos Conselhos de Gestão do Meio Ambiente, entre outras atividades.
– Projeto Produtores de Biodiversidade, que pretende promover a recuperação e conservação na Bacia do Rio Formoso por meio do estabelecimento de um Programa de Pagamento de Serviços Ambientais no município de Bonito
– Projetos de pesquisa científica sobre a biologia e a ecologia de psitacídeos (papagaios, araras, periquitos etc) e sobre o gavião-real (Harpia harpyja) no Parque Nacional da Serra da Bodoquena e em seu entorno
– Organização do III Congresso de Natureza, Turismo e sustentabilidade, que vai acontecer de 30 de junho a 3 de julho, em Bonito-MS.
– Projeto Eco-comunicadores: rede de comunicadores ambientais Serra da Bodoquena – Pantanal
Todos estes projetos são realizados com o apoio fundamental de diversos parceiros.

Sobre o Conatus

Qual o público alvo?

M.M: O Conatus espera congregar todos aqueles que interagem ou se interessam por esta temática, como estudantes, professores, profissionais autônomos, empresários e técnicos das diferenças esferas de governo (municipal, estadual e federal), das áreas de meio ambiente e de turismo.  

Qual o tema e os principais objetivos do evento?

M.M: O Conatus existe para discutirmos o turismo como promotor da conservação ambiental e a natureza como capital de base para o turismo no Brasil. Paralelamente, pretende-se contribuir para a construção de políticas públicas mais adequadas que conciliem a atividade turística e a conservação do seu maior potencial, que é o patrimônio natural.

Como surgiu a ideia do Conatus?

M.M: Atuando em Bonito, é impossível dissociar o turismo das ações de conservação ambiental. Ao contrário, é fácil perceber como estes temas devem ser tratados de forma associada. A ideia do Conatus surgiu como uma forma de encontrarmos outras pessoas que trabalham e estudam esestas temáticas. Acreditamos que, em conjunto, pode-se ampliar e aprofundar as discussões, melhorar as práticas e construir políticas públicas adequadas de turismo ligado ao meio ambiente.

Qual a importância de promover eventos como esse em Bonito?

M.M: Eventos como esses são uma oportunidade única de reunir pessoas em torno de temas importantes, possibilitando a interação entre pesquisadores e empresários, entre estudantes e profissionais experientes, entre planejadores e aqueles que atuam “na ponta”. Ou seja, é uma oportunidade para que todos possam ampliar o seu olhar para as diferentes questões ligadas ao turismo de natureza, para o aprendizado, a troca de experiências e o estabelecimento de parcerias.

Falando especificamente do Conatus 2013, vale ressaltar que não há momento mais oportuno para as discussões e reflexões aqui propostas, vistos os investimentos em turismo que já estão acontecendo para a Copa de 2014 no Brasil e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Logo, é fundamental o planejamento cuidadoso, que gere bons e perenes frutos, preparando o Brasil para se inserir na indústria de turismo mundial de grande escala.

Há algum patrocínio para a realização do Conatus?

M.M: Sim, o Conatus conta com a parceria da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, da Prefeitura Municipal de Bonito e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. São patrocinadores do evento a Petrobrás, a MMX e o Instituo Semeia. Contamos ainda com importantes apoiadores, cujas logos e nomes podem ser conferidas em nosso website
(www.conatus.org.br).

Conheça um pouco mais sobre nosso entrevistado de hoje (24) na coluna “Quem Faz Bonito”:

Te Chamam de: Ma, Marjinha, mãe

Nasceu em: 01/12/82

Gosta de comer: tudo com manjericão, tomate e parmesão. É a mistura perfeita!

Na sua cabeceira tem: Em casa eu tento fugir dos livros técnicos. Estou lendo Machado de Assis.

Adora ouvir: Samba

Gosta de fazer nas horas vagas: Mergulhar no Rio Formoso

O que te inspira: um mundo melhor para as crianças

Não vive sem: tempo livre pra curtir minha família

Simplesmente inesquecível: Meu primeiro trabalho de campo em Mato Grosso do Sul, quando vi pela primeira vez anta, tamanduá-bandeira, lobo-guará, queixada, ariranha e tantos outros bichos. Me apaixonei!!!

Melhor lugar que visitou: Fernando de Noronha

Qual lugar gostaria de visitar: Difícil escolher um só! Ultimamente quero muito conhecer o México.

Qual uma experiência marcante que já vivenciou na natureza: ver uma onça em seu ambiente natural, no Pantanal, acompanhada dos alunos do curso de Monitor Ambiental que realizamos em 2012. Encerramos o curso com chave de ouro!

O que faz por Bonito: além do meu trabalho, tento fazer a minha parte como cidadã, participando dos programas que julgo importantes (coleta seletiva, por exemplo) e dos espaços de participação popular nas tomadas de decisão (Conselho Municipal de Meio Ambiente e Conselho Consultivo do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, nos quais sou conselheira).

Bonito para você é: Um lugar que me deixa otimista em relação ao futuro, onde acho possível construirmos um caminho que concilie e respeite, verdadeiramente, o bem estar de toda a população e a natureza local. 

Até a Próxima!

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