Hora de agir!

Não restam mais dúvidas: o clima está mudando drasticamente no Planeta. Tornados no Sul, enchentes no Nordeste e alterações drásticas no regime de chuvas em todo o País. Não é possível esperar mais para tomar atitudes. Esse momento já passou. Temos de agir rápido e de forma integrada – governo, setor privado, terceiro setor, meio acadêmico e a sociedade como um todo.

 

No caso do varejo – por seu papel estratégico como elo de ligação entre indústrias, produtores rurais e o conjunto da sociedade – compreendemos que o nosso impacto direto sobre as mudanças climáticas é relativamente baixo – da ordem de 10% -, mas o nosso impacto indireto é altíssimo, ao considerarmos a pegada ecológica de cada elemento da cadeia de valor. No caso do Walmart, por exemplo, contamos com cerca de 10 mil parceiros comerciais e atendemos a mais de 1 milhão de pessoas diariamente nas lojas no país.

 

Portanto, nós, supermercadistas, temos uma responsabilidade enorme sobre toda a cadeia de valor, o que gera um grande desafio para todo o setor. Há cerca de 5 anos começamos a entender de forma mais clara esse nosso papel e passamos a construir a trilha da sustentabilidade dentro e fora do Walmart – sempre buscando parcerias com ONGs e as diversas instâncias governamentais para entender melhor o ambiente externo e poder ter um papel efetivo na construção de políticas públicas relativas ao desenvolvimento sustentável.

 

A estratégia tem sido atuar nas questões ligadas diretamente ao negócio. Pensando nisso, assim como na sua importância estratégica e no seu impacto sobre as emissões de Gases de Efeito Estufa do país (mais de 50% do total de emissões), elegemos a Amazônia como uma das nossas prioridades. Temos consciência, por exemplo, do nosso papel para as cadeias da pecuária, da soja e da madeira.

 

A construção de um modelo mais sustentável para a região, buscando desfazer as complexas e perversas conexões entre trabalho escravo e desmatamento, passa por uma mobilização geral da sociedade e definição mais clara de marcos regulatórios – o que começa a tomar corpo com uma atuação mais focada do Ministério do Meio Ambiente e de ONGs, como o Greenpeace.

 

Diante de todo esse desafio, buscamos dar algumas contribuições. Em Maio e Junho passados, em parceria com o Governo Federal e Terceiro Setor, num evento que reuniu mais de 300 fornecedores em São Paulo, mobilizamos a nossa cadeia de fornecedores para pactuarmos compromissos em relação à Amazônia, além de pactos para produtos mais sustentáveis e redução de embalagens. Os principais frigoríficos do país estiveram presentes e assinaram o pacto. Além disso, também estamos investindo junto com a Conservação Internacional e o Instituto Peabiru na preservação da Floresta Nacional do Amapá, com cerca de 450 mil hectares.

 

Outro exemplo de integração bem-sucedida entre setor privado, poder público e terceiro setor é a campanha “Saco é um Saco”, no qual o Ministério do Meio Ambiente, o Walmart e o Instituto Akatu se uniram para conscientizar a população em geral sobre a necessidade de reduzir o consumo de sacos plásticos no país. 

 

Com anúncios em jornal e filmes de TV de forte impacto emocional – um deles estrelado pelo Júnior, fundador do AfroReggae – a campanha mostra que a atitude de cada pessoa é fundamental para a mudança coletiva. O projeto vai de encontro com a atual estratégia do Walmart de reduzir em 50% o uso de sacolas plásticas até 2013, que prevê também descontos aos clientes que optarem por levar suas compras em embalagens retornáveis. Portanto, cada contribuição – individual e coletiva – é fundamental e urgente para a construção de uma nova sociedade tão desejada e necessária. Esperamos que esse seja também o espírito que contamine a todos na COP-15, a Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas a ser realizada no final do ano em Copenhague.

 

Por Daniela de Fiori
Vice-presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Walmart Brasil.


(Envolverde/ECO 21)

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