Manejo integrado das águas

As estratégias de conservação da água implicam no estudo do seu comportamento na região e na propriedade, de forma a garantir seus ciclos e aproveitar ao máximo seu potencial. A água deve ser conduzida de modo a infiltrar-se na terra, favorecendo a umidade do solo. Conheça, a seguir, algumas das principais técnicas de manejo desse recurso essencial à vida.

Captação, Armazenagem e Distribuição

Esses procedimentos pressupõem o conhecimento da dinâmica espacial e temporal das águas das chuvas, mediante a análise de seu histórico. É importante identificar a ocorrência das precipitações máximas e mínimas, bem como as épocas de secas prolongadas e veranicos na região. O armazenamento da água da chuva pode se dar de forma natural, pela biomassa, com destaque para as árvores existentes na propriedade, que podem estar localizadas nas Áreas de Preservação Permanente, APP, e na Reserva Legal, RL, de forma a contribuir para a manutenção e regularização da vazão dos rios e evitar a ocorrência de enchentes e inundações.

Ao longo da propriedade, podem ser plantadas árvores de maneira a obter barreiras (quebra-ventos), reduzindo a velocidade do vento e criando melhores condições de desenvolvimento das plantas. Outra forma de manter a umidade do solo é construir canais de infiltração. Esses canais são valas feitas em nível: o solo é escavado e depositado logo abaixo da vala, na forma de leira (sulco). A água, ao encontrar a vala, é recolhida e infiltrada lentamente no solo, aumentando a umidade. Essas valas devem ser bem dimensionadas para evitar seu rompimento. O ideal são terraços com leve desnível.

Esta opção armazena água das chuvas em açudes, construídos de forma que a água escorra do terreno sempre em direção perpendicular à curva de nível. Assim, toda a água que cai na propriedade é lentamente direcionada para os açudes. No Cerrado, os açudes devem ser fundos e estreitos, para evitar excesso de evaporação.

A água da chuva pode ser armazenada, por meio de calhas no telhlado, em cisternas, com mecanismo de descarte das primeiras águas. Um telhado de 100 m² (10m X 10m) poderá captar cerca de 410 litros/dia. A água deve ser armazenada em local fechado: a não exposição ao sol impede o crescimento de microorganismos, mantendo a qualidade do líquido para utilização. O limo da caixa d’água não deve ser lavado, pois funciona como um filtro natural.

Despoluição Doméstica

Geralmente, as águas utilizadas nas casas são de dois tipos: as que contêm fezes humanas e aquelas resultantes de outros usos domésticos (sabão, gordura, etc.). estas últimas são facilmente filtráveis, podendo ser utilizadas como nutrientes para a terra. Basta que se construa um filtro com areia e camadas sucessivas de brita de vários tamanhos, afinando de cima para baixo. Por baixo, é necessária uma camada de areia e, abaixo desta, outra camada de brita para segurar a areia. Antes desse filtro, é instalada uma caixa de gordura, que, removida anualmente, pode ser compostada. A camada de areia pode ser retirada uma vez por ano, para renovação das bactérias. A areia é queimada e as cinzas utilizadas como nutriente para as plantas.

Uma opção simples é não misturar as fezes humanas com a água, valendo-se das chamadas latrinas secas, ou sanitários compostados. Neste caso, as fezes são depositadas em uma câmara aquecida pela luz solar, e misturadas com serragem e urina, para equilibrar a relação do carbono com o nitrogênio. Usa-se no prazo de seis meses depois. Depois, a mistura decomposta deve passar por um minhocário, antes de ser utilizada.

As águas com fezes podem ser tratadas por seqüências de sistemas anaeróbicos e aeróbicos. Um exemplo do primeiro é o biodigestor. No caso dos aeróbicos, há várias opções. Pode ser feita uma cama de absorção, os chamados solos filtrantes, com o plantio de macrófitas, como o arroz, que sobrevivem na água e retêm poluentes, inclusive os metais pesados. Após os devidos tratamentos, essas águas podem ser direcionadas para novos aproveitamentos, como a criação de animais, como patos, peixes, ou para a nutrição de plantas não consumidas diretamente, como as fruteiras.

Fonte: Bunge no Campo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>