Mata Ciliar de Bonito recebe Projeto Demonstrativo de Recuperação

O “Projeto Demonstrativo de Recuperação de Matas Ciliares no rio Mimoso, Bonito/MS”, executado pelo Instituto das Águas da Serra da Bodoquena – IASB e patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, através da Petrobras S/A, trata do desenvolvimento de técnicas de recuperação de matas ciliares em propriedades rurais no rio Mimoso em Bonito no Mato Grosso do Sul.

O programa foi contemplado pela seleção pública do Programa Petrobras ambiental em 2006. A área de abrangência do projeto compreende o município de Bonito, localizado no sudoeste do estado de Mato Grosso do Sul, na microrregião geográfica denominada ou Serra da Bodoquena.

A Serra da Bodoquena é considerada a maior extensão de florestas naturais preservada do estado de Mato Grosso do Sul e uma das maiores áreas de floresta estacional decidual do país . Dessa forma, é considerada há décadas por organizações governamentais e não-governamentais como a mais prioritária para preservação da última área imaculada de Floresta Atlântica no interior do Brasil.

Rio Mimoso 

O rio Mimoso nasce nas elevações da Serra da Bodoquena , possuindo 50 quilomêtros de extensão é um dos principais afluentes responsáveis pela qualidade e quantidade das águas do rio Formoso (considerado o mais importante curso d`água do município de Bonito e um dos rios de maior beleza cênica do mundo em razão de suas águas cristalinas) e vem apresentando diversos sinais de degradação, sendo que o principal deles é o desmatamento das matas ciliares e a diminuição do
volume de água.

Segundo Liliane Lacerda, bióloga e coordenadora do projeto, a proposta foi elaborada devido à precária situação que se encontram alguns rios e córregos da região, em especial o rio Mimoso, e pela falta de recursos financeiros de alguns proprietários, principalmente os pequenos, para investir na recuperação dessas áreas através do modelo convencional mais utilizado, o plantio de mudas. “Trata-se de um projeto demonstrativo que trabalha com três unidades piloto ao longo do rio (que
vem sofrendo diferentes graus de perturbação), procurando desenvolver técnicas de recuperação eficientes ecologicamente e de baixo custo.

As estratégias utilizadas para efeito de comparação quanto às vantagens econômicas e ecológicas, são: regeneração natural, regeneração natural induzida, semeadura direta, poleiros artificiais e plantio de mudas”, disse Para Liliane, o incentivo para que os proprietários não queiram desmatar novamente as áreas recuperadas é feito por meio de cursos que estimulam o uso de novas práticas e, que sendo aplicadas, aumentam a produtividade das propriedades. “Queremos que mais de 50% de proprietários da região sejam capacitados pelos cursos e dias de campo, demonstrando que essas estratégias de recuperação são mais baratas, fazendo assim com que as demais 125 propriedades da microbacia do rio Mimoso possam acreditar na proposta, aderindo a um dos modelos de recuperação, implantando-o e se tornando um multiplicador das práticas conservacionistas incentivadas pelo projeto”, afirmou.

Há dois anos proprietários rurais vêm recebendo assistência técnica, capacitação e participando de palestras e reuniões de sensibilização. Até o momento, mais de 1.500 pessoas já foram mobilizadas sobre a importância das matas ciliares para a proteção das águas. Além disso, o projeto vem realizando a implantação e avaliação de técnicas diferenciadas de recuperação em propriedades rurais no Mimoso, onde já foi feito o plantio de cerca de 1.500 mudas e mais de 10 mil sementes de espécies florestais nativas. 

Campanha Faça sua Parte

Com a campanha “Faça sua Parte. Você Pode Plantar um Mundo Novinho em Folha” o IASB vem divulgando as técnicas desenvolvidas no projeto. A campanha tem atraído proprietários interessados em conhecer as técnicas de recuperação empregadas pela instituição e que buscam a melhor alternativa para sua propriedade.

O IASB realiza visitas a convite dos proprietários rurais, distribuindo sementes e oferecendo auxilio técnico para a recuperação da mata ciliar, além de divulgar os resultados obtidos através da implantação das cinco técnicas de recuperação de áreas degradadas, cujo objetivo é testar a viabilidade do modo de recuperação empregado, assim como o seu custo de implantação. “O projeto completou dois anos de execução, e durante este período de pesquisa, a técnica que está apresentando melhores resultados no que se refere à rapidez e o custo da recuperação é o plantio de sementes direto no solo. Entre as demais, está sendo testado o plantio direto de mudas, na regeneração natural, na semeadura a lanço e na utilização de poleiros artificiais”, ressaltou Liliane Lacerda.

A bióloga afirma que sem descartar a viabilidade das outras formas de recuperação em longo prazo, o IASB realiza as visitas mostrando como foram implantadas todas elas e mostrando passo-a-passo como foi realizada a semeadura direta no solo, fazendo pequenos módulos para que os funcionários rurais possam testar a técnica antes de implantá-la em uma área maior. “A principio foram visitadas três propriedades rurais, duas nas margens do rio Mimoso e uma nas margens do rio Formoso.

Em todas elas a equipe do IASB sentiu-se satisfeita com a receptividade dos caseiros e proprietários e com o entusiasmo em testar a metodologia implantada. Desse modo, o IASB espera semear boas sementes e gerar bons frutos, ajudando o proprietário rural a recuperar áreas degradadas e contribuir para uma melhor qualidade de vida local”, disse.

As sementes são distribuídas em saquinhos, confeccionados com a ajuda de alunos da escola Bonifácio Camargo Gomes e da Patrulha Florestinha. Nos saquinhos é encontrado um passo-a-passo para o plantio, conforme metodologia utilizada no projeto Matas Ciliares. E, visando não influenciar plantios homogêneos (de uma espécie só), cada saquinho apresenta no mínimo 08 espécies diferentes típicas de Mata Atlântica e Cerrado. “Como se trata de um gesto simples, apenas enterrar a semente no chão, o IASB espera que mais de 50% das sementes distribuídas sejam plantadas em beira de rios, córregos e nascentes, podendo germinar e garantir o nascimento de mudas que irão contribuir com a conservação dos recursos hídricos do município” finalizou Liliane.

Por meio do projeto o IASB oferece aos proprietários rurais e moradores da região diversos cursos , como o de manejo de pastagens, controle de formigas cortadeiras.

O IASB
O Instituto das Águas da Serra da Bodoquena – IASB, constituído legalmente em 2002 em Bonito, Mato Grosso do Sul já desenvolveu diversas ações voltadas para a recuperação e manutenção da qualidade das águas, do solo e da vegetação das microbacias localizadas na Serra da Bodoquena. Criado por proprietários rurais, empresários, ambientalistas e comunidade ribeirinha, o Instituto se originou da Associação Amigos do Rio Mimoso, onde pessoas de vários segmentos preocupadas com as condições de conservação ambiental da região começaram a se reunir em 1999 para buscar soluções a fim de minimizar o processo de degradação do referido rio.

Para mais informações sobre o projeto e o instituto entrem em contato com o IASB,pelo telefone: (67) 3255-1920. Ou pelo website www.iasb.org.br

Confira a edição nº 04 da Revista Rede pela Mata em anexo (no topo desta matéria).

Fonte: RMA – Rede pela Mata

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