Natureza é resgatada em projeto ecológico em Bonito

Em Bonito, a vida renasce numa árvore de 5,33m de altura por 1,5m de diâmetro, primeira peça do projeto “Natureza Resgatada”, inaugurada durante o 10º Festival de Inverno de Bonito. Concebida pelo artista plástico Jaime Prades e executado em parceria com Pedro Ranciaro, a instalação é feita de madeira descartada. Depois de uma semana de trabalho, a etapa final, no dia 1º de agosto: o plantio de trepadeiras típicas de mata ciliar da região aos pés da escultura. “No próximo festival, eu, você, todo mundo vai ver o verde tomando conta da árvore, viva de novo”, anuncia Prades. 

Um dos ilustres plantadores da semente da vida foi o poeta amazonense Thiago de Mello (na foto, com a esposa Poliana). Além da semeadura, dele a árvore ganhou até poesia, na declamação de um texto de Pablo Neruda.

Na estrutura interna da árvore foram utilizados seis troncos de eucaliptos, fincados ao solo, recobertos com uma camada de pinus elliottii – todo esse material veio de restos de obras de construção civil. A etapa mais visível do revestimento consumiu restos da produção de duas marcenarias. Ao todo foram cerca de dois metros cúbicos de madeira, o que equivale a “uma tora de uns 40 metros de diâmetro por cinco metros de altura”, traduz Ranciaro, marceneiro de ofício e artista de prática, que se orgulha de ter aprendido com o pai a nunca derrubar uma árvore sequer para obter matéria-prima. “Meu pai usava só árvores já derrubadas, principalmente atingidas por raio, o que dava a vantagem de uma secagem mais rápida e produto final de mais qualidade”, conta. Para juntar todas as peças, lá se foram aproximadamente 30 mil pregos. 

A construção da árvore começou no domingo anterior ao FestIn e terminou no sábado seguinte (1º/8).  No fim do dia, os artistas, ao lado de Thiago de Mello, do presidente da Fundação de Cultura do Estado, Américo Calheiros e do secretário de Turismo de Bonito, Augusto Mariano, plantaram as trepadeiras que aos poucos encherão de verde e de vida a instalação. Contrariando uma triste imagem desses tempos modernos de agressão ao meio ambiente, a natureza não vai morrer, mas reviver a olhos vistos.  O dia-a-dia desse rejuvenescimento poderá ser assistido durante os próximos meses ao lado do Centro de Atendimento ao Turista (CAT), à beira da avenida, na entrada da cidade.

“Estamos muito orgulhosos de fazer aqui em Bonito a árvore número 1”, diz Jaime Prades. Segundo o artista, a idéia inicial era trabalhar o projeto nos centros urbanos, onde a situação diária de madeira virando lixo é mais visível. Ele chegou a se preocupar que na cidade sul-mato-grossense famosa pelo desenvolvimento sustentável e as belezas naturais faltasse matéria-prima para concretizar seu trabalho, já que a proposta é trabalhar somente com a madeira descartada local. “Mas a gente viu que até aqui isso acontece. Então, o Festival de Inverno se tornou uma ótima oportunidade para mostrar essa proposta da arte a serviço da consciência. Queremos mostrar que a humanidade precisa repensar, e que na natureza, não dá só pra tirar, tirar, e tirar. Dá para colocar também”.

Na concepção do projeto, o resgate é abrangente e representa a recuperação de pedaços de diferentes da natureza brasileira, considerando que a matéria-prima tem origem diversa. “É como se tivéssemos uma  mini-floresta aqui”, diz Jaime Prades.

Fonte: Assessoria do Governo de MS

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