Ney Mato Grosso grava imagens em Bela Vista para documentário

Sul-Mato-grossense de nascimento, de nome e de coração, Ney Matogrosso redescobre Bela Vista, distante 322 quilômetros de Campo Grande (MS). Na cidade onde nasceu, um dos mais versáteis intérpretes da Música Popular Brasileira grava um documentário sobre sua vida, relembrando histórias e apresentando as cores da Fronteira.

Nascido Ney de Souza Pereira, o Matogrosso – incorporado em 1971, quando se lançou mais a fundo na carreira artística – é uma homenagem as lembranças de infância e adolescência no Sul de Mato Grosso. “Bela Vista foi o Último local da filmagem porque a cidade em si é muito especial, uma cidade única, que representa o diferencial em minha vida”, ressaltou Ney.

Sem o ufanismo de ser, Ney argumenta que “vive” e se vê na cultura da terra. “Não me sinto mato-grossense, e sim brasileiro. Mas é muito estranho quando chego próximo a Bela Vista, sinto que faço parte daqui, mas não sei dizer que sou daqui. Me criei no Rio de Janeiro, mas não me sinto carioca. Não tenho o ufanismo de ser (sul) mato-grossense, mas sinto que pertenço a aquela coisa nossa mesmo, como por exemplo o nosso biótipo, a nossa mistura, que por aqui é outra. E eu percebo que tenho essa mistura. Com tudo isso sinto a proximidade de minha cidade natal”.

Na Fronteira que mistura culturas, Ney Matogrosso vivia com a família, mas se sentia só. Preferia o mato, poucos amigos, silêncio e contemplação. Apesar da timidez, viveu as primeiras experiências na arte. Já cantava, pintava e interpretava, apesar da solidão.

As filmagens do documentário percorreram locais onde Ney viveu, como a fazenda de seu avô “Tatanxa”, no Distrito Nossa Senhora de Fátima (Nunca Te Vi) e a casa em que nasceu e residiu, que hoje ainda existe.

Presente para Bela Vista – Ney garante que sempre pensou em fazer um show em sua cidade natal, mas que a concretização depende de uma produção que ofereça condições de realização. “Para fazer o show trago tudo, um caminhão com som, iluminação, instrumentos, enfim toda uma gama necessária. E o principal, a cidade deve ter o local adequado para o evento. O show (“Beijo Bandido”, em cartaz desde 2009) é muito bonito. Adoraria poder oferecer a minha cidade natal”, explica.

Se depender de Ney, o espetáculo tem tudo para acontecer. “Já fiz vários shows beneficentes, mas sempre as pessoas que trabalham comigo (25 profissionais) recebem pelo seu trabalho. Eu mesmo abro mão do meu cachê”, afirma.

Futuro – É difícil imaginar que um dos mais marcantes “front man” dos palcos brasileiros chegou aos 69 anos. Possibilidade aventada nos últimos anos, a aposentadoria da música esta descartada. “Hoje eu tenho uma carreira muito estável e vou cantando até quando agüentar. Eu que pensava em parar, agora já não penso mais e isso somente acontecerá quando eu for impedido”, frisa Ney Matogrosso.

“Olho Nu” – Com direção do carioca Joel Pizzini, que já havia dirigido Ney Matogrosso no curta-metragem “Caramujo Flor” (1988), “Olho Nu” apresenta a história do artista, passando pela infância de contrastes interioranos e fronteiriços, a aeronáutica, o começo da vida cigana e o estouro no Brasil, com “Secos e Molhados”.

Ney cedeu cerca de 300 horas de material à Pizzini. O material é relativo a registros feitos principalmente em emissoras de TV nos últimos 37 anos. Além disso, outras 300 horas de depoimentos foram captadas nos últimos meses pelo próprio Pizzini. O documentário terá duração de 90 minutos e é filmado em película. O objetivo, segundo o músico, é fazer com que o filme ultrapasse a barreira do DVD para ser exibido nos cinemas. E quem sabe, em Bela Vista.

Fonte: Campo Grande News
Com informações Site Bela Vista

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>