No Brasil é lançado novo guia sobre aves da Mata Atlântica

Já parou para observar os pássaros? Consegue diferenciar uma ave de outra, apenas observando-as ou ouvindo-as na natureza? Essa atividade, conhecida como birdwatching (observação de aves, em português), tem crescido muito aqui no Brasil. Para os praticantes desse hobby e principalmente para os interessados em iniciá-lo, foi realizado no sábado (18), em São Paulo (SP), o lançamento do “Guia do Observador de Aves: Reserva Natural Salto Morato” – livro que serve como uma ferramenta introdutória à observação de aves.

A publicação, organizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, foi lançada durante a 8ª edição do Avistar Brasil, maior e mais tradicional feira de observação de aves da América Latina, realizada de 17 a 19 de maio na capital paulista. O Guia apresenta 100 espécies de aves que ocorrem na Reserva Natural Salto Morato, unidade de conservação mantida pela instituição e que está localizada em Guaraqueçaba (PR), dentro do maior trecho contínuo preservado de Mata Atlântica do Brasil. Assinam os textos da obra três reconhecidos ornitólogos brasileiros: Fernando Straube, Leonardo Deconto e Marcelo Vallejos.

“Ao avaliar quais aves seriam apresentadas no Guia, optamos por incluir algumas espécies de fácil visualização na Reserva e também aquelas que ali ocorrem, mas que são difíceis de serem observadas em outros locais”, explica Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário. A seleção conta com espécies importantes da avifauna brasileira: as aves incluídas no Guia estão entre as 324 espécies que ocorrem na Reserva Natural Salto Morato, sendo que lá ocorrem 43% das espécies de aves registradas no Paraná e 18% das espécies brasileiras.

Segundo pesquisa realizada pelo Avistar em 2011, a existência de uma lista das aves que podem ser vistas em um local de interesse é importante para 38,4% dos observadores de aves. Para atender esse público, o “Guia do Observador de Aves: Reserva Natural Salto Morato” apresenta as espécies divididas em quatro ambientes da floresta onde elas podem ocorrer: borda, que é o contorno externo da mata; piso, seu ‘andar térreo`; sub-bosque, ‘seu andar intermediário`; e copa, o ‘andar mais alto`. Em cada uma dessas áreas, 25 espécies são apresentadas de acordo com sua probabilidade de ocorrência, com fotos, status de conservação e detalhes sobre sua aparência e biologia.

Com as informações apresentadas de forma leve e de fácil entendimento, sem linguagem excessivamente técnica, o Guia também é indicado aos iniciantes na atividade de birdwatching e aos interessados em começar a se aventurar no mundo das aves. Para esses públicos, o livro traz informações sobre como identificar diferentes aves, lista de equipamentos necessários para a atividade, comportamentos de um bom observador, além de dicas de horários e locais mais adequados para a prática.
Podendo ser consideradas “dinossauros vivos” que representam o ponto culminante de bilhões de anos de evolução, as aves estão presentes na natureza e no imaginário popular: elas são símbolos de países (como a águia-de-cabeça-branca, que representa os Estados Unidos), crenças (a pomba representa o Espírito Santo na Igreja Católica e é símbolo de paz em todo o mundo), times (caso do Flamengo, representado por um urubu) e até mesmo de causas, como a jacutinga (Aburria jacutinga). Essa ave ameaçada de extinção na Mata Atlântica foi escolhida como uma das espécies-bandeira de Salto Morato, por representar bem como o desequilíbrio entre homem e natureza pode prejudicar a vida no planeta.

No Brasil, não faltam lugares para observar esses importantes animais, que muitas vezes desempenham papel fundamental na manutenção de áreas naturais, ao promoverem a dispersão de sementes de diversas plantas. No contexto mundial, o país é considerado o segundo com maior riqueza de avifauna, com 1.832 espécies, sendo que a Mata Atlântica é um dos biomas com maior diversidade de aves.

Por abrigar uma parcela significativa dessa biodiversidade, a Reserva Natural Salto Morato foi indicada pelo Avistar em 2010 como sítio adequado para a prática do birdwatching. Entre as espécies que podem ser vistas no local está o pula-pula-ribeirinho (Phaeothlypis rivularis), cuja coloração verde-oliva pode ser difícil de ser observada em virtude de seus hábitos inquietos. O pula-pula-ribeirinho está sempre em movimento e frequenta a beira de riachos, onde também é possível avistar o macuco (Tinamus solitarius), ave solitária que passa a maior parte de seu dia caminhando.

Com informações: Fundação Grupo O Boticário e Revista Ecológico

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