Passeio de trem é viagem contemplativa pelo Pantanal

Sobre os trilhos, ele anda lento. Entre riachos e morros, o grito estridente do apito não somente espanta os animais que vez ou outra cruzam o caminho, mas também celebra a chegada do tão esperado trem. Às 20h, Miranda, em Mato Grosso do Sul, porta de entrada do Pantanal, está tomada. Passageiros acenam, dão boas-vindas para o expresso que chega ao fim de sua viagem inaugural, 18 anos após ter sido desativado.

Serras, morros, riachos e diferentes espécies de árvore e pássaro passam pelas janelas dos vagões reformados do Trem do Pantanal, agora batizado de Pantanal Express, durante o trajeto que parte de Campo Grande, a capital, até a cidade de Miranda, com parada para o almoço em Aquidauana. O passeio acontece aos sábados, às 7h30. A volta é feita aos domingos, às 8h30.

É preciso bastante disposição para suportar o chacoalhar do trem, que “corre” a 30 km/h, durante oito longas horas. A viagem é contemplativa. Ar-condicionado, poltronas reclináveis e revestidas de couro e cerveja gelada ajudam o passeio a ser mais prazeroso.

Uma opção para amenizar a canseira é pegar um ônibus até Aquidauana e, de lá, embarcar no Pantanal Express.

Jacarés e araras-azuis

Embora o passeio disponibilize guias locais, que narram o trajeto percorrido e contam curiosidades sobre a região, ele apenas serve de introdução para entender o rico e complexo ecossistema da maior planície alagável do mundo. Os ecoturistas costumam dizer que o Pantanal começa mesmo a partir de Miranda.

Enquanto a expansão dos trilhos não chega até Corumbá, o que deve acontecer só em 2011, a alternativa para quem busca o “verdadeiro” Pantanal, de áreas alagadas na época de cheia, jacarés e araras-azuis, é procurar alguma fazenda para se hospedar próximo a Miranda.

Em algumas delas, como a fazenda San Francisco (www.fazendasanfrancisco.com.br), é possível passear de chalana, fazer safáris fotográficos e cavalgadas.

Jaguatiricas, onças-pintadas, antas e outros mamíferos cobiçados pelos turistas podem ser vistos, muitas vezes, durante a focagem noturna de animais silvestres. O passeio requer silêncio e atenção dos visitantes.

Durante o dia, em uma trilha de curta duração, é grande a presença de macacos e de inúmeras espécies de pássaro. Eles reforçam ainda mais a riqueza quase infinita do Pantanal.

PARA QUEM

Gosta de passeios contemplativos, adora aprender sobre a fauna e a flora e quer conhecer o Pantanal de maneira diferente, ou simplesmente para quem assistiu aos filmes “Viagem a Darjeeling” ou “Antes do Amanhecer” e ficou morrendo de vontade de fazer uma viagem de trem.

QUANDO IR

O trem funciona durante o ano todo. De julho a novembro ocorre a estação da seca, mais fácil para se locomover; a vazante vai de abril a junho; de dezembro a março é a época das chuvas, quando muitas regiões alagam e parte da fauna se concentra nas áreas mais altas.

ONDE SABER MAIS

www.tremdopantanal.com 

Fonte: Revista da Folha

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