Peixe das cavernas da Bodoquena

Uma das mais impressionantes criaturas das cavernas e condutos subaquáticos da Serra da Bodoquena é também um peixe raro.  Trata-se de um cascudo albino, conhecido pelos cientistas como Ancistrus formoso.  Ainda muito pouco estudado, o peixe foi coletado pela primeira vez pelo biólogo Edmundo Costa Jr., em 1995, e descrito em uma revista francesa em 1997 pelos biólogos José Sabino, professor e pesquisador da UNIDERP, e Eleonora Trajano, bióloga da USP.

Este peixe cego é endêmico (ou seja, só existe em uma região restrita) de nascentes da Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul. Suas populações parecem ser isoladas e pequenas e ocorrem apenas em nascentes de rios subterrâneos, como a ressurgência do rio Formoso e Buraco do Ducho. Pouco se sabe sobre a ecologia deste animal na natureza – estratégias de reprodução e tamanhos populacionais são desconhecidos. Em parte este desconhecimento se deve à dificuldade de estudar o peixe nos condutos (“túneis”) inundados, muito profundos. Alcançar os locais em que ele ocorre, entre 25 e 60 metros de profundidade, exige mergulhos altamente especializados, realizados apenas por mergulhadores experientes e treinados na prática de imersões em cavernas – de onde, em caso de emergência, não se pode subir diretamente à superfície.

O cascudo albino está incluído na lista oficial do IBAMA de espécies ameaçadas de extinção, categoria vulnerável (IUCN). Uma das principais ameaças que sofre é o próprio mergulho em cavernas ou espeleo-mergulho, que pode perturbar diretamente os animais e modificar as condições ambientais por meio de alterações físico-químicas na água, aumento das partículas em suspensão etc. Outro vilão é o desmatamento de regiões do planalto da Bodoquena, às margens de áreas de sumidouros que alimentam as águas das cavernas inundadas. Os desmatamentos podem alterar aspectos físico-químicos da água, além de alterar o aporte e as características dos detritos que servem de alimento aos cascudos.

Fonte: Canal Azul TV

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