Pesquisa revela qual o maior perigo das águas do Pantanal

Foi publicado hoje (24), na seção Mitos e Verdades no caderno Ecologia, do jornal Correio do Estado, um texto de José Sabino* sobre o maior perigo para os pescadores do Pantanal e região.

Confira:

“Nem jacaré, nem sucuri, nem mesmos as piranhas. As criaturas mais temidas pelos pescadores do Pantanal são as raias. Ao entrevistar 100 pescadores que tiram  o sustento das águas pantaneiras, o biólogo Geovane Cândido da Silva, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, confirmou que o maior perigo das águas para os pescadores se esconde sob a areia no fundo dos rios e baías (tipo lagoas do Pantanal).

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As raias do gênero Potamotrygon são responsáveis pelos acidentes mais graves e doloridos. Em Coxim e Corumbá, regiões de Mato Grosso do Sul investigadas nas pesquisas, perto de 20% dos pescadores já sofreram acidentes com esses peixes cartilaginosos, de corpo achatado em forma de disco e que têm um ferrão afiado na cauda. A ferroada da raia causa dor intensa por duas horas e pode ser acompanhada de febre, náusea, suores, agitação e vômitos.

Ao manusear as raias durante a pescaria ou entrar sem cuidado nas águas rasas das lagoas pantaneiras, muitas vezes os pescadores pisam no animal, que reage com seu ferrão. Os acidentes com raias representam um problema de saúde pública, porquea  recuperação sempre exige repouso, impossibilitando a vítima para o trabalho. Em casos mais graves ocorrem severas infecções secundárias por bactérias que necrosam o tecido. O tratamento envolve uso de antibióticos e limpeza cuidadosa e em geral necessita de longo tempo de recuperação, frequentemente por até três ou quatro meses.

Os resultados são de um mestrado recentemente apresentado na Universidade Anhanguera – Uniderp, em colaboração com o médico Vidal Hadad Jr., da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. Os dados do estudo são de grande interesse para as comunidades de pescadores no Pantanal, uma vez que mostram altos índices de acidentes de trabalho, inexistência de noções de primeiros socorros ou prevenção, além da ausência de atendimento médico adequado junto aos profissionais.

Na próxima fase da pesquisa, que tem financiamento do Centro de Pesquisas do Pantanal- CPP, os pesquisadores pretendem produzir e publicar um manual de prevenção de acidentes e primeiros socorros para atenaur o problema”.

* José Sabino é Graduado em Ciêncais Biológicas pela USP, Mestre eem Zoologia pela Unesp e Doutor em Ecologia pela Unicamp. Coordena o Projeto Peixes de Bonito da Universidade Anhanguera – Uniderp, onde é professor – titular.

Com informações Correio do Estado

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