Pesquisas da Embrapa Pantanal agora contemplam saneamento

O Dia Mundial da Água, comemorado neste sábado, dia 22 de março, tem como tema escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) o saneamento. A Embrapa Pantanal vai iniciar no próximo mês uma pesquisa que envolve justamente esta temática: o uso de fossas sépticas biodigestoras nos assentamentos de Corumbá.

A responsável pelo projeto de pesquisa é a agrônoma Márcia Toffani, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A pesquisa será desenvolvida com apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Segundo Márcia, o Brasil está investindo na infra-estrutura básica, financiando estações de coleta e tratamento de esgoto em diversos municípios com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Em Corumbá essas obras também estão em fase inicial. “É uma meta do governo federal e uma preocupação da ONU”, disse.

Ela explica que o tratamento gera resíduos sólidos, conhecidos como lodo de esgoto. Na área urbana, esse material pode ser reaproveitado como fertilizante de plantas, em vez de ser simplesmente disposto no solo ou despejado em rios ou aterros.

“Para as comunidades rurais, entre as tecnologias para tratamento de dejetos humanos, existe a fosse séptica biodigestora. Vamos testá-la em substituição às fossas comuns, que apresentam riscos de contaminação de lençóis freáticos”, afirmou.

A fossa séptica biodigestora, desenvolvida pela Embrapa, trata somente os resíduos de vasos sanitários. O tratamento transforma o resíduo bruto em biofertilizante para uso no solo. “É rico em material orgânico e nutrientes.”

Além da questão ambiental, a tecnologia favorece o produtor rural, que poderá economizar na compra de insumos.

A pesquisa é inovadora na Embrapa Pantanal, que tem trabalhado com a qualidade de alimentos, saúde e princípios de agroecologia, que enfatiza a reciclagem de nutrientes no sistema. 

 

 

 

ÁGUA

Outras pesquisas sobre a água são desenvolvidas pela Embrapa Pantanal desde a década de 1980. “Temos uma base de dados consolidada com informações coletadas ao longo de 20 anos.  Muitas dessas informações já estão à disposição dos interessados”, disse a pesquisadora Márcia Divina de Oliveira, da área de limnologia da Embrapa Pantanal. Limnologia é a parte da biologia que trata das águas doces e de seus organismos, principalmente do ponto de vista ecológico.

Todo esse conhecimento tem permitido que a Embrapa Pantanal contribua com informações nos diferentes segmentos da sociedade em questões relacionadas a recursos hídricos.

Segundo Márcia Divina, as informações incluem a caracterização limnológica, incluindo qualidade de água levantamentos sobre contaminantes, estudos sobre comunidades aquáticas, gestão de bacias hidrográficas, entre outras.

Um dos projetos de pesquisa em andamento é o PELD (Pesquisas Ecológicas de Longa Duração), que entra em seu oitavo ano. “Ele deve durar dez anos e faz um monitoramento amplo de toda a bacia. Pelo menos cinco pesquisadores da Embrapa Pantanal estão envolvidos com o PELD”, disse Márcia.

Segundo ela, estudos mais detalhados têm sido feitos em importantes sub-bacias, como a do Taquari e do Miranda, tributários do rio Paraguai, sempre com uma visão integrada entre as atividades presentes na bacia e sua influência na qualidade e quantidade de água.

“Além disso, temos estudado o entendimento de processos ecológicos voltados à área de inundação, como a importância do pulso de inundação, a ocorrência de fenômenos naturais como a decoada, e introdução de espécies exóticas. Procuramos sempre responder a questões apresentadas pela comunidade.”

De tudo o que foi pesquisado até o momento, Márcia Divina sintetiza: “a qualidade da água hoje em Corumbá é boa. Mas são extremamente preocupantes os sedimentos e contaminantes (fertilizantes e pesticidas, além de efluentes urbanos) que entram no Pantanal através dos tributários do rio Paraguai. Há presença de contaminação no início da área de inundação.”

Para Márcia Divina, o sistema tem capacidade de reter parte desses contaminantes por meio das plantas aquáticas, embora se mantenham no sistema e possam acumular e/ou causar danos aos organismos aquáticos. “A longo prazo não sabemos mensurar quais serão os reais impactos”, conclui. 

 

 

 

Ana Maio

Jornalista – Mtb 21.928

Área de Comunicação e Negócios-ACN

Embrapa Pantanal

Corumbá (MS)

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