Rio da Prata e Buraco das Araras são exemplos de ecoturismo em Jardim

Texto publicado no Jornal A Tarde, no dia 16 de julho de 2009. Além de exaltar a cidade de Jardim (MS), o jornalista Pedro Henrique  conta sua experiência no Recanto Ecológico Rio da Prata e no Buraco das Araras. Veja abaixo:

De snorkel na suave correnteza

Prepare-se para ver plantas, peixes coloridos e até jacarés na flutuação pelo Rio Olho D`Água

A preparação começa muito antes de entrar no rio. Para encarar a água gelada, os visitantes vestem roupas e botas de neoprene. Depois, dividem-se em grupos de nove pessoas e seguem por dois quilômetros, de caminhonete, até o ponto de onde sai a trilha. Ainda é preciso encarar 45 minutos de caminhada pela mata – e, com sorte, observar macacos-prego, cotias e quatis. Até que, finalmente, avista-se a nascente do Rio Olho D`Água, a mais de 35 quilômetros do centro de Jardim.

O Recanto Ecológico Rio da Prata é o ponto de partida para a flutuação. São permitidas apenas 130 pessoas por dia – e o acompanhamento de um guia é fundamental. Sem ele, você não poderá ter acesso à nascente do Olho D`Água, espécie de piscinão natural que serve de treino para descer o rio. Nem é preciso saber nadar: basta pedir um colete salva-vidas. Com seu snorkel, deixe o curso do Olho D`Água levar você, no movimento suave da correnteza.

São 1.900 metros de extensão. No trajeto, plantas se misturam a peixes como dourados, piaus e curimbatás. Há a possibilidade de ver até sucuris e jacarés, algo que eu mesmo não acreditava. Tanto que nem dei muita importância quando o guia pediu que eu olhasse à direita. Bem do meu lado, um jacaré, que parecia nem se importar com o movimento.

Quase no fim do rio, uma nascente surge da areia e forma uma espécie de vulcão. Um balé de areia intermitente que, dizem os guias, nunca repete os mesmos movimentos.

Logo adiante, o Olho D`Água se encontra com o Rio da Prata. Não é difícil notar: a água esfria e a visibilidade piora. A essa altura, quem já estiver cansado pode terminar o passeio de barco ou flutuar por mais 600 metros até o ponto final, com boas chances de observar mais alguns dourados pelo caminho.

Após cerca de três horas no rio, chega a hora do descanso. Mas nada de voltar ao hotel. O almoço – delicioso, por sinal – é servido no mesmo espaço onde os turistas se reúnem antes da flutuação. Depois de satisfeito, esparrame-se nas redes e curta a trilha sonora que os pássaros propiciam. O passeio dura um dia inteiro e custa R$ 106, incluindo o almoço e o merecido cochilo.

Praia no interior

Os dias ensolarados podem dar praia em Jardim. Um dos balneários mais concorridos é o Municipal, que reúne turistas e famílias da região. Há churrasqueiras, quadra de vôlei e muito espaço para simplesmente curtir a natureza.

Se a verba estiver curta, é possível ficar no camping próximo do balneário. Uma oportunidade de estar perto do centro e, ao mesmo tempo, ter uma grande área verde ao redor. A diária custa, em média, R$ 15 por pessoa.

COMO IR

PASSAGEM AÉREA: SP-Campo Grande-SP: a partir de R$ 246 na Ocean Air (4004-4040); R$ 288 na Azul (0–11-3003-2985); R$ 298 na Gol (0300-115-2121) e R$ 439 na TAM (4002-5700)

De Campo Grande, são mais 233 quilômetros. Bonito está a 66 quilômetros de Jardim

ONDE FICAR

Vitória Hotel: é a hospedagem mais charmosa e confortável da cidade. E deve ser ampliada até agosto. Diárias de R$ 60 a R$ 90. Informações: (0– 67-3251-4640)

Hotel Jardim: tem apenas dois meses de funcionamento, mas serviço e conforto impecáveis. As diárias custam de R$ 40 a R$ 100. Tel.: (0–67-3251-2233)

Hotel Tropical: bem localizado, no centro da cidade, é uma das opções mais econômicas, com diárias entre R$ 30 e R$ 50.
Tel.: (0–67-3251-1403)

Buraco das Araras – Palco para o balé das aves

De área abandonada a santuário natural, o Buraco das Araras é um verdadeiro espetáculo

Elas parecem saber que são as estrelas da região. Protagonizam o show com maestria, num verdadeiro balé. Sobem alto, só para depois poderem flanar com a brisa. Sob o sol forte, se escondem nas tocas, entre os gritos característicos da espécie. Não é à toa que o Buraco das Araras está entre as atrações mais visitadas de Jardim.

Quem vê o cenário harmônico não imagina que, há pouco mais de 20 anos, as aves haviam deixado de frequentar o local. Quando Modesto Sampaio – ou simplesmente “seu Modesto” – comprou a fazenda onde fica o Buraco das Araras, em 1986, a área estava bastante degradada. Lixo e entulho se acumulavam na dolina – nome que os especialistas dão a esse tipo de formação geológica.

Dez anos depois, com a ajuda do Exército e do Corpo de Bombeiros, ele conseguiu limpar o espaço e iniciar um processo de revitalização. Plantou mudas nativas e soltou ali um casal de araras que ganhou de presente. O resultado pode ser observado pelos visitantes, ao vivo: bandos inteiros fizeram do local seu lar, onde encenam seu espetáculo diariamente.

Com o olhar treinado, Modesto afirma que, na época da reprodução da espécie (de maio a dezembro), chega a ver até 50 casais na dolina. O maior número de araras é avistado agora, em julho – boa hora para programar sua visita, não acha?

Para assistir às estrelas em seu hábitat, uma pequena trilha dá início ao passeio. Os 500 metros de circunferência e 100 de profundidade do buraco parecem se agigantar quando o visitante alcança os mezaninos dos dois mirantes.

Com alguma sorte, você poderá encontrar outros moradores daquelas paradas. Macaco-prego, tatu, tamanduá e até jaguatirica já foram vistos por ali. 

Informações: (0–67) 3244-4344; www.buracodasararas.tur.br
Entrada: R$ 20

Fonte: Pedro Henrique França – Jornal da Tarde

Com informações

http://www.jt.com.br/suplementos/turi/2009/07/16/turi-1.94.11.20090716.5.1.xml

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