Uma Malla em Bonito Visita ao Balneário Municipal

Balneário é uma palavra que nunca me soou bem. Por um motivo bobo: quando criança, sempre ouvia que Guarapari, cidade vizinha de onde cresci, era um “balneário de verão” – e eu detestava Guarapari no verão, gostava de lá nas demais estações, quando dava pra aproveitar a cidade. Então na minha cabeça balneário virou sinônimo de lugar cheio e chato. É claro, a gente cresce e percebe que esse pré-conceito é uma grande besteira. Mas lá no fundo, eu ainda carregava um certo ranço.

Então, quando chegamos cedo em Bonito ontem e escolhemos ir pro Balneário Municipal, eu tive receio de que encontrasse por lá algo não tão legal, como nas minhas tonterias de criança. Mas a simpática Juliana nos explicou que o Balneário de Bonito era um dos lugares com a maior concentração de piraputangas da região, e isso foi o suficiente para nos convencer a irmos para lá.

O Balneário é gerenciado pelo poder público local. Num primeiro momento, poderíamos pensar que seria algo totalmente largado, dado o histórico dos políticos em geral no Brasil. Mas não. Uma visita ao local vale MUITO a pena. É um pedaço curvo do rio Formoso onde ele forma uma pequena piscina natural rasa de água clarinha e os peixes se agregam ali pela razão óbvia: têm mais comida – as lanchonetes do local vendem ração para peixes e quem quiser pode alimentá-los, uma atitude controversa que tem trazido problemas de obesidade aos peixes. São muitas piraputangas, alguns dourados e pacus. A água é gélida, mas nada que uma boa roupa de neoprene não dê jeito. A visibilidade da água é fenomenal.

O local é organizado para o turismo, com lanchonetes, vestiário e quadras de vôlei de areia. Além disso, uma escadinha de pedra circunda essa área do rio e torna a descida para a flutuação muito fácil. É passeio para todos sem restrições. Quando estávamos lá, vi algumas crianças com seus pais, que sentados na pedra, arremessavam ração para ver o movimento frenético das piraputangas próximo à superfície. Há ainda uma pequena “divisão” natural com pedras, onde uma pequena corredeira deixa o passeio pelo local mais interessante. No período que estivemos lá, avistamos um tucano também, além das araras que ficam pela área da lanchonete nos galhos das árvores.

Passamos a tarde toda no Balneário e nem vimos o tempo passar. Foi muito relaxante, porque como não há guia para essa atividade, cada um faz no seu ritmo. Quando quer, para, vai tomar um suco de guavira (a “uva do cerrado”), e volta pra água interagir mais com as piraputangas.

A piraputanga (Brycon hilarii) é um peixe de uns 30 cm de comprimento e é também o peixe-símbolo do ecoturismo em Bonito, tanto que virou uma bela estátua na praça principal da cidade. É facilmente visto em qualquer das atrações aquáticas da região. No Balneário, às centenas, elas vieram nos “saudar” para uma bela estadia na cidade. E ajudaram a tirar da minha cabeça o ranço bobo com a palavra “balneário”, que passou a significar lugar agradável e de boas horas de diversão. Pelo menos em Bonito é assim.

Tudo de Bonito sempre.

Por: Lucia Malla – Blog “Uma Malla Pelo Mundo”

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